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lördag, augusti 29

~ Conselhos de um caracol [Atualizações do Walter]

Meses após meus últimos escritos neste espaço, retorno para dar atualizações sobre este senhorzinho (OMS, 2026)1 espiralado que tem tornado meus dias mais leves (e que neste exato momento está ocupado obliterando uma minicenoura).

Quarta-feira passada fizeram exatos oito meses que o Walter chegou às nossas vidas. Posso dizer que essa criaturinha tem me rendido muitas reflexões e aprendizados. Eu até gostaria de ter criado uma espécie de diário de campo sobre minhas impressões, incluindo observações acerca de seu comportamento e de suas preferências alimentares, bem como dos erros e acertos na construção de um terrário. O problema é a falta de tempo e energia para isso. Normalmente, estou abarrotada de trabalho, já que equilibro a atuação em regime CLT com a carreira autônoma, o que consome praticamente todo o meu tempo. Também estou com outros dois artigos em andamento para este blog, ambos sobre jogos. Vamos ver como as coisas caminham.

~Walter posando para a foto em um dente-de-leão. 2026. Digital color photograph. Personal archive.

Mesmo sem muita energia mental, considero que o marco de oito meses do nenê2  seria relevante demais para passar batido. Então, vamos lá: desde o post Prelúdio, no qual o Walter foi oficialmente apresentado, tenho ampliado meu conhecimento acerca de terrários e do comportamento de moluscos terrestres.

Adicionei vários alimentos com sucesso à dieta dele: chuchu, folhas de brócolis, cogumelos e couve-manteiga (os últimos dois se tornaram os queridinhos do nenê). Também descobri recentemente que ele aceita bem a fonte de cálcio oferecida na forma de papinha. O osso de siba, para quem não sabe, é a concha interna de um molusco marinho e serve como excelente fonte de cálcio para caracóis.

Em abril, viajamos na Páscoa para visitar a família no interior. Embora meus planos fossem levar o Walter passear no jardim, como estava um calor dos infern*, ele acabou estivando a viagem toda, sobretudo por ser muito estressante para ele viajar de carro. Não sei quem sofreu mais com o calor, se eu ou ele. Essa ausência de contato com o mundo externo (além do que colocamos no terrário para simular a vida na floresta) nos deu a ideia na verdade a ideia foi minha de criar um playground com galhos e plantinhas amigáveis para caracóis. Esse projeto ainda não saiu do papel, mas estou contando com a engenhosidade do meu parceiro para isso.

Em meados de junho, Walter teve que passar uma semana no apartamento do meu namorado, pois as áreas comuns do meu prédio passaram por uma dedetização. Nosso receio era de que resquícios do veneno se espalhassem e lhe causassem algum efeito tóxico; assim, só o trouxemos de volta quando acreditamos que já estava seguro.

Quanto à rotina, ele passa a maior parte do dia dormindo escondido entre o musgo e a fibra de coco que usamos de substrato (material que funciona como uma “caminha” fofa e confortável para ele). No começo da noite, ele sai para dar as voltinhas dele e explorar o terrário, beber as gotículas de água e encher o panduzinho de comida. Claro que as coisas nem sempre acontecem nessa ordem. Há dias em que ele fica mais ativo e até mesmo dorme fora da conchinha.

~Olha a boquinha 😭

Outra coisa que aumentou desde o texto introdutório de março para cá foi a lista de músicas que associo a ele (sim, eu associo músicas a serzinhos fofos). A principal continua sendo Advent, do Dead Can Dance, seguida de diversas outras desse artista, como a que escuto no repeat enquanto escrevo este texto.

É evidente que essa atribuição de músicas a um caracol faz parte daquele processo de antropomorfização pelo qual todos nós, tutores apaixonados por nossos bichinhos, passamos à medida que a presença deles se torna uma parte inexorável das nossas vidas. Quando faço minhas atividades ou viajo na maionese ouvindo minhas músicas, não sou apenas eu fazendo isso; somos eu e o Walter apreciando aquela canção. Quando estou cansada depois de um dia de expediente, reclamo para ele, meu companheirinho de trabalho. Quando vou checar o terrário para ver o que ele anda aprontando, falo com ele naquele tom infantil, como se ele pudesse me ouvir.

Algo que já virou bordão entre mim e meu parceiro é usar o Walter como bode expiatório quando quero alguma coisa do mercado (“O Walter está pedindo...”) ou quando como uma barra de chocolate inteira (“Eu dividi com o Walter...”). Meu namorado até passou a dizer que o Walter virou o “caracol expiatório” (esse é nosso humor lúdico). 😆

É nesse ponto que entram os “Conselhos de um caracol”, título da postagem. O bichinho Walter certamente não faz ideia do mundo acelerado no qual vivemos, da ansiedade que os prazos e as metas do trabalho nos causam, tampouco do que seja um boleto. Contudo, em toda a sua simplicidade e calmaria, ele tem muito a ensinar àqueles dispostos a observá-lo.

Ele vive o momento, degusta sua abobrinha, aproveitando cada detalhe do sabor. Sabe apreciar as pequenas coisas da vida, como quando levanta as anteninhas e a cabecinha para sentir o vento. Come alimentos saudáveis, bebe água e repousa sempre que o corpo pede. Quantas vezes, na vida, somos devorados por prazos e sobrecarregados por um ritmo que não nos é natural, a ponto de nos esquecermos de quão boa é a sensação se sentir o vento? De quão mágico pode ser observar as nuvens coloridas em um final de tarde? De quão bom é fazer uma refeição e simplesmente aproveitar o momento?

No meu caso, a própria responsabilidade de cuidar dele me obrigou a comer mais tipos de vegetais, pois sempre tenho que comprá-los. Já mencionei meu vício em rúcula? Também costumo me lembrar mais de beber água, já que, de tempos em tempos, borrifo o terrário para manter o ambiente com a umidade adequada para ele.

E, sinceramente, no final do dia, são essas coisas que realmente valem a pena e fazem a vida ter sentido. É rir de coisas bobas (como chamar ele de “caracol expiatório”), ouvir uma música e lembrar de alguém querido, sentir o vento no rosto, observar a natureza e continuar se maravilhando com coisas simples.

Ao visitar fóruns sobre criação de moluscos de estimação, deparei-me com uma das descrições mais belas e singelas sobre a relação entre um tutor e seu bichinho. O texto, que traduzirei a seguir, foi uma resposta a uma pessoa que indagava se caracóis têm noção da existência de seus tutores. Para entender melhor o contexto da discussão, é preciso considerar o fato de que caracóis são animais cuja visão é bem rudimentar (seus pequenos olhos apenas detectam variações de luminosidade), não têm audição como a nossa e dependem muito de quimiorrecepção para perceber o ambiente. Essa é, inclusive, a função daquelas pequenas estruturas próximas à boca. Mas, diante de tudo isso, eles têm noção da nossa existência?

“Eles fazem, mas não como ‘você’ faz, como sua família e amigos fazem. Você é a sensação de conteúdo que eles sentem quando cheiram e provam uma boa refeição. Você é a segurança que eles experienciam quando conseguem dormir sem interrupções. Você é uma força da natureza favorável quando o espaço deles está livre de excesso de sujeira. Você está nas dez mil pequenas escolhas que eles fazem todos os dias. Você é tudo, menos nada para eles. Sua invisibilidade é um presente. Nunca ser conhecido é um presente. Você deu a eles o presente de uma vida perfeita. Como a mão de Deus amparando sua criação”. (Usuário do Reddit)

[Olhos cheios de lágrimas]

Logo, talvez o Walter não saiba quem eu sou da maneira como a Flora (minha gata) sabe, mas a presença e os cuidados que ofereço fazem parte da experiência de vida dele. E todo o amor que sinto por ele é justamente isso: amar e cuidar de um serzinho frágil, pequeno e indefeso sem pedir nada em troca, encontrando paz e felicidade simplesmente em vê-lo se sentindo bem e protegido. Deixo aqui duas das minhas fotos preferidas dele, tiradas ainda no começo deste ano no jardim da minha vó.

~Walter em um momento de reflexão no jardim. 2026. Digital color photograph. Personal archive.

🎧 Indoctrination (A design for living) ~ Dead  Can Dance.


1 Aviso: este artigo está repleto de diminutivos por motivos de um quadro clínico conhecido como Cuteness overload, atualmente sem tratamento, segundo dados da OMS (2026).

2 Esse período refere-se à data em que o encontramos na floresta, não tendo relação com a idade dele, que não sabemos precisar.

lördag, mars 14

Prelúdio 🐌

Saudações, mundo!

À beira da eclosão de uma terceira guerra mundial, sob a hipervigilância das big techs e diante de uma possível ameaça à nossa soberania nacional, decido voltar a escrever textos despretensiosos em um blog.

Digamos que não é lá o momento mais oportuno para eu retomar a escrita neste espaço, haja vista eu estar atolada até o pescoço de trabalho. Para se ter uma ideia, eu comecei a rascunhar esta postagem em janeiro 😁. Só hoje consegui sentar aqui para concluí-la. Ninguém mais escreve em blogs, e tampouco alguém os lê. Apesar de ter essa noção, opto por retornar; afinal, em um mundo dominado por textos escritos por IA, escrever textos "de cabeça" é um ato de resistência. De modo geral, este texto é um prelúdio para a nova fase deste blog, que já conta com algumas coisas em pré-publicação. Stay tuned!

A postagem que inaugura esta nova fase com chave de ouro é sobre ele: [som de tambores 🥁🥁] ~4 gramas de fofura, cerca de 3 cm de graciosidade, olhinhos discretos e curiosos, conchinha bege~marrom-claro e rádula sedenta por papaya. Senhoras e senhores, apresento-lhes o Walter! 🥁🥁

Sim, adotei um caracol de estimação 😊 Encontrei o Walter (a.k.a. nenê Walter, bichinho Walter, ou ainda Gosmentinho, para os mais íntimos) no dia 26 de dezembro de 2025, em uma de minhas expedições fotográficas pela natureza. De início, avistei a conchinha em uma planta e corri para inspecioná-la. Como nunca havia tido a sorte de encontrar um caracol vivo (certa vez achei uma concha abandonada do que um dia fora um caracol...), não fiquei muito esperançosa. Queria apenas fotografá-la, pois sempre achei linda aquela estrutura espiral. Segurei a concha em minhas mãos por alguns minutos e voltei minha atenção a uma borboleta que avidamente coletava pólen em uma corda-de-viola. Após certo tempo, algo se moveu na concha... “Está vivo!!!” Automaticamente entrei no meu modo “derretimento por coisas fofas” e, alguns minutos depois, vi o Walter pela primeira vez <3 Foi amor à primeira vista! A partir dali, soube que o levaria para casa. Improvisaria um terrário até comprar um adequado. Daria um jeito!!

E assim foi. As primeiras duas semanas do Walter em casa foram dentro de um copo de whisky. Imediatamente, botei meus conhecimentos básicos de malacologia em prática: peguei terra do jardim e coletei alguns galhinhos de physalis, folhas de dente-de-leão e musgo, a fim de construir um miniterrário. Pesquisei por terrários para pequenos invertebrados e comprei um de 3 litros (que, para a nossa sorte, chegou bem rápido).

Após passar um mês “de boas” no terrário, comendo bem, defecando normalmente e fazendo passeios supervisionados no jardim, o Walter entrou em estiva. Era a primeira vez que eu via de perto um caracol assim e, inicialmente, achei que ele tivesse morrido. A película de cálcio estava formada bem para dentro da concha, dando a impressão de que ele havia secado. Eu entrei em desespero, tive uma crise de choro (essa foi a segunda; a primeira foi em certa manhã em que o meliante se enterrou no fundo do terrário, fazendo-me acreditar que ele havia fugido). Abracei o terrário e comecei a soluçar, sentindo-me responsável pela morte de um ser inocente.

No desespero, tirei uma foto e pesquisei na esperança de se tratar de algum processo fisiológico típico de caracóis. E era isso: Walter havia entrado em estiva, muito provavelmente em decorrência de mudanças bruscas de temperatura. Contudo, a essa altura, eu já havia me desesperado e colocado a concha dele contra a luz para inspecionar, além de borrifar água para saber se ele reagiria. E reagiu. Após meia hora, esse serzinho gosmento emergiu novamente da concha, devorando o epifragma. Em seguida, saiu andando (ou deslizando, talvez? 🤔) como se nada tivesse acontecido. Eu brinquei com meu namorado, dizendo que o Walter deve ter ficado “putasso” comigo: “Como ousa perturbar meu soninho de beleza?”

O problema é que, no dia seguinte, ele novamente estivou. Algo estava claramente errado no ambiente. E assim ele ficou por longos dezesseis dias. O que me tranquilizava era ver as anteninhas movendo-se sutilmente através da superfície translúcida da concha. Retornamos a Curitiba e nada mudou. Long story short: ele passou por várias estivas curtas em que ele saía, passava um dia fora e depois estivava novamente. Contatei um veterinário especializado em animais silvestres. Ao trocar ideia com ele e me aprofundar um pouco mais na literatura, chegamos à conclusão de que seria fundamental controlar a umidade do terrário.

Meu namorado científico maravilhoso comprou um terrário do mesmo modelo e acoplou um higrômetro/termômetro à tampa. Hipótese: o ambiente provavelmente estava com umidade muito baixa, o que me motivava a dar borrifadas frequentes ao longo do dia. No entanto, o higrômetro provou ser exatamente o contrário: o ambiente estava demasiadamente úmido! Isso explicava o porquê de o Walter sempre ficar no teto do terrário, justamente nas frestas que permitiam troca de ar. Ele evitava tanto ficar na parte inferior que cheguei a considerar que pudesse estar desgostoso com o substrato. Mas a verdade era que o ar estava muito pesado, dificultando a respiração e até mesmo colocando em risco a manutenção da concha. Ao percebermos isso, diminuímos as borrifadas e, tcharam!, ele saiu da estiva, parou de ficar no teto, teve um evidente aumento no apetite e se mostrou mais ativo. Meu namorado, empolgado, exclamou: “viva a ciência!”

À medida que o Walter estivava, eu lia livros sobre moluscos gastrópodes e visitava fóruns em busca de dicas de criadores sobre alimentação e substrato; assim, fui aprimorando o terrário, que hoje conta com cerca de 5 cm de substrato de fibra de coco (livre de sais e taninas), tapete de musgo-da-floresta, osso de sépia para fonte de cálcio e uma “minioca” de fibra de coco para servir de abrigo (além do referido higrômetro/termômetro acoplado).

Hoje, ele está muito bem adaptado e, por que não dizer, faceiro: alimenta-se bem (ele ama mamão e abobrinha!) e tem seus lugares preferidos para dormir. Demonstra curiosidade com a inserção de objetos novos no ambiente e explora o terrário com frequência, passando tempo considerável fora da concha, comportamento fofo que demonstra segurança e relaxamento. Planejamos um cardápio semanal com o objetivo de oferecer uma dieta equilibrada (temos o dia da abobrinha, da cenoura, da rúcula com agrião, da berinjela e assim por diante). Esta semana mesmo ele obliterou um pedaço enorme de abobrinha ao longo da noite (e cagou proporcionalmente à quantidade consumida @_@) –[i] os alimentos têm sido servidos com pedaços de CaCO₃ para fortalecer a conchinha após as múltiplas estivas.

Há muito eu queria ter um caracol de estimação. Sempre achei que as conchas conferem um charme peculiar a esses animais. Lembro-me de ter desenvolvido interesse especial por caracóis após conhecer o trabalho de Vyacheslav Mischenko, um de meus principais referenciais na fotografia. Fiquei apaixonada pelo modo mágico com que ele representa o pequeno mundo desses moluscos, trazendo à tona detalhes invisíveis aos olhos: a flor minúscula que o caracol admira; o cogumelo que serve de abrigo; ou ainda a gota de orvalho que mata sua sede. A obra desse artista certamente tem orientado meu percurso na fotografia.

Eu não tenho palavras para descrever o amor que sinto por esse bichinho; só sei que desenvolvi um vínculo tão forte, mas tão forte... Até brinco que é como se eu tivesse reencontrado um pedacinho meu que outrora estava perdido. Já até associei várias músicas a ele: Snail ~Camiidae, Snail Waltz ~ Enzo Corne, Advent ~ Dead Can Dance, além de várias do Cocteau Twins. Já chorei ao contemplar o Walter fazendo suas refeições ao som de A Kissed out Red Floatboat, The Itchy Glowbo Blow e Cherry-Coloured Funk * -*.

O Walter não é apenas um caracol; simbolicamente, ele é um reflexo da minha própria fragilidade e existência. Seu metabolismo se traduz em processos internos que reconheço em mim mesma. Embora viva em um mundo caótico, ele segue o seu próprio ritmo; é extremamente vulnerável a pequenas mudanças no ambiente; diante de quaisquer adversidades, necessita de recolhimento a fim de se recompor e preservar energia (estiva). De maneira análoga, devido à minha sensibilidade, dificuldade de socialização e sentimento de inadequação, sempre vivi muito mais dentro da minha própria mente do que no mundo externo (constantemente me recolho em minha “conchinha” mental quando o mundo se torna demais). Caracóis costumam ser rejeitados e tratados como incômodo e com desdém pela maioria das pessoas, sensação de rejeição que também reconheço, pois a vivenciei desde cedo no meu ambiente familiar (tópico sobre o qual não me aprofundarei nesta postagem, a fim de não pesar o texto). Ao descrever para o meu namorado o quanto me reconheço no Walter, ele mesmo completou o raciocínio de forma bonita:

“ – Eu não me sinto como as outras pessoas, não as compreendo e tenho dificuldades de me relacionar, por isso eu...”

“ – Você entra em estiva.”

Por mais que nós, humanos, tenhamos o hábito de projetar nossas percepções nos nossos bichinhos, é evidente que moluscos são bem rudimentares. O Walter carece dos mecanismos psicológicos para entender ou sequer sentir afeto. Ainda assim, estou feliz com o fato de que ele já fica “de boas” na minha mão e sem se retrair na concha quando removo cocozinho preso nele com papel higiênico (antes ele evitava minha mão ou se recolhia). 🐌

Cuidar desse serzinho tão pequeno e frágil tem não apenas me protegido contra a depressão, mas também ajudado a exercer afeto. Também comecei a consumir vegetais que antes não faziam parte do meu cardápio: rúcula, agrião, abobrinha e berinjela. Inclusive, rúcula é uma delícia! 

O Walter é o primeiro de muitos caracoizinhos que passarão pela minha vida, pois hoje posso afirmar categoricamente que estou amando a experiência de ter um molusco de estimação. Além disso, onde cabe um, cabem dois ou seis... O lado triste de ser tutor desses animais é que sua expectativa de vida não é lá muito longa, sobretudo se ele realmente for da espécie que eu acredito que seja... E só de pensar nisso meus olhos já se enchem de lágrimas; portanto, não pensarei a respeito. Eu sei que a vidinha dele é um sopro, mas farei o possível para dar-lhe a melhor existência possível pelo tempo que ele estiver comigo.

Não poderia terminar esta postagem senão com um dos meus retratos preferidos do Walter, o qual faz parte do meu acervo pessoal, intitulado Snail Tales.

Walter & Walterego. 2026. Digital color photograph. Personal archive.

🎧 Spleen and Ideal ~ Dead Can Dance.


[i] Todos os travessões usados neste texto são de produção humana, não sendo provenientes de textos gerados por IA.

måndag, mars 7

Você conhece a Windland Store?

Recentemente, conheci uma loja que vende diversos produtos capazes de fazer qualquer apaixonado pelo estilo cottagecore ficar eufórico. São broches com bordados de cervos, porta-moedas de cogumelos silvestres, chapéus de época, marcadores de página antigos e brinquedos ecológicos feitos de madeira! Tudo muito lindo e a um preço super justo! E o melhor: tudo isso bem pertinho da gente! Trata-se da loja @windlandstore.






O nome Windland remete ao universo mágico que a artesã responsável pela loja criou em sua casa. Ela transformou a moradia em um cenário digno de contos de fadas! Nas palavras da artesã: “eu faço tudo à mão, compro com pequenos empreendedores locais, reciclo materiais (upcycling) e embalo tudinho com carinho e visando causar o menor dano possível à natureza". Ainda, a loja não faz uso de nenhum tipo de plástico, optando por matérias-primas de papel ou tecido!

O primeiro produto que comprei com eles foi o chapéu Little Women. A embalagem veio com um perfume delicioso. Senti que estava recebendo algo enviado do vale dos elfos 😊 Certamente foi a primeira compra de muitas!

Você pode adquirir os produtos da loja diretamente pelo perfil do Instagram ou pelo site https://www.elo7.com.br/wstore.


lördag, mars 5

.RAW

Desde que comecei a trilhar certos caminhos dentro da universidade, deixei de lado muitas coisas pelas quais tinha interesse, principalmente aquelas relacionadas a uma certa veia artística minha. Os motivos para me afastar de alguns interesses eram os mais variados: perda de tempo, isso não vai render nada, não dá para conciliar no momento etc. Mas por bem ou por mal, muitas vezes não conseguimos fugir de nossa essência. Após um período bem tumultuado na minha vida, finalmente comecei a me voltar para coisas que eu queria fazer, não para ganhar dinheiro, mas por simples prazer.

Uma delas é a fotografia. Flerto com ela desde muito cedo, mais precisamente na época de juventude, na qual comecei a usar internet e, consequentemente, a ter contato com esse universo. Na época, eu me limitava a admirar as belas imagens tiradas aparentemente com super equipamentos por pessoas que sabiam editar de forma não amadora. Eu sonhava em ter fotos como aquelas, mas poxa, eu sequer tinha um celular que tirasse fotos! Hoje as coisas mudaram. Eu tenho um equipamento melhor e estou oficialmente iniciando meus estudos em fotografia. E olha, o que posso dizer é que estou me encontrando muito nela.

Desconsiderando todo o desconhecimento técnico, eu sempre percebi que tinha olhar fotográfico. Claro que as únicas pessoas que realmente têm capacidade de afirmar isso são os fotógrafos xD Mas eu sempre percebi – ainda que com meu olhar de leiga – que eu conseguia compor boas fotos sobretudo quando comparava as minhas com as de pessoas próximas. Eu conseguia explorar o cenário de modo a compor uma imagem de diferentes formas, como quando eu tentava descobrir ângulos para modificar a paisagem, dando enfoque a determinado objeto em detrimento de outro.

Explorar a câmera a fim de estudar a questão técnica tem sido muito interessante, e embora eu esteja em uma fase complicada mentalmente, percebo o quão bem esse interesse me faz. Para mim, o estudo da fotografia é leve, solto, construtivo. Era algo de que eu realmente precisava, pois eu preciso criar algo, expressar algo.

No final do curso que estou fazendo eu já terei um portfólio e, na verdade, essa foi a verdadeira razão pela qual fiz um perfil no Instagram. Contudo, eu ainda não sei se usarei o meu perfil, se criarei outro mais direcionado ou criarei um perfil em outra plataforma. É importante separar o pessoal do  profissional. Nesse caso, manterei meu perfil pessoal para registrar meu percurso de aprendizado.

Eu nunca fui de postar muita foto em redes sociais, mas isso é totalmente incompatível com o caminho que estou trilhando. Afinal, para ter reconhecimento e clientes, é preciso mostrar o nosso trabalho para o mundo. Minha meta é trabalhar com fotografia natural e fotoarte, a última também relacionada à natureza. Penso em unir minha área de estudo com a questão mais artística da fotografia, até para criar um equilíbrio.

No mais, posso dizer que estou ansiosa (de uma forma positiva) para compartilhar meu percurso na fotografia 😊

fredag, januari 28

Faltam 51 dias para o outono

Frente fria!!! Hoooray! Depois da terrível onda de calor que trouxe temperaturas completamente fora do normal para a região, somos presenteados com friozinho e neblina! Sabem aqueles dias bem brancos em que você mal consegue ver o horizonte? Pois então! E para melhorar ainda mais o clima, amanhã meu namorado viaja para ficar comigo por um tempo! Embora as aulas presenciais tenham sido adiadas, ele resolveu voltar para Curitiba. Eu a princípio ficarei até meados de fevereiro por aqui no interior catarinense, pois só venho visitar uma vez por ano. Nosso plano para os próximos dias é caminhar juntos em bosques para procurar cogumelos e animais! ^^

Como sempre, embrenhando-me entre as flores~

Também estou aproveitando o friozinho maravilhoso para sair coletar flores para fazer minhas guirlandas, além de estar super empolgada para fotografar corujas que fizeram ninho aqui perto!!! Mas não se preocupem: não chegarei tão perto para não assustar os bichinhos :D Além disso, eu tenho senso de autopreservação.

No mais, nesta semana que passou eu participei (como ouvinte) do ciclo de palestras de um curso de verão de biotecnologia! Primeiro evento da área de que participo! Só posso dizer que a área que sempre me encantou conseguiu me surpreender ainda mais. Quanta pesquisa phoda sendo feita! As palestras foram super legais e informativas, proferidas por pessoas bem abertas a tirar duvidas e fazer network ^^ Se tudo der certo, no próximo semestre da faculdade pegarei a disciplina de engenharia enzimática! É muita novidade para um ano só, e ainda não contei sequer a metade! Fico por aqui, como sempre deixando o link para o que estou ouvindo.

🎧 Dead Can Dance ~ A Passage in Time

tisdag, januari 11

Meu brinquedinho chegou!!

Há cerca de um mês o meu mais novo brinquedinho chegou: uma câmera Canon e uma lente zoom de 75-300mm! Comprei essa lente junto com a câmera porque tenho interesse em fotografar animais selvagens e nem sempre é possível chegar perto dos modelinhos. Após iniciar um curso on-line de fotografia, tenho explorado os recursos da câmera, mas ainda sem domínio da coisa. Fotografar é um processo bem complexo e que exige muito estudo, portanto, engana-se quem pensa que basta ter à disposição um equipamento potente. É bem frustrante descobrir que as fotos que tiramos dentro de uma mata fechada ficaram totalmente escuras porque não equilibramos o Iso e a velocidade do obturador! Ou então que os cliques que demos em belas paisagens abertas e ensolaradas ficaram com excesso de luz a ponto de não conseguirmos corrigir no pós-processamento :x Mas até dominar a coisa, é tentativa e erro...

Tenho brincado bastante com a câmera a fim de testar o que funciona. O mais legal é que esse processo todo de aprendizado tem envolvido muitos passeios no meio do mato! Tanto que passo um tempão vasculhando o mapa da região por satélite na busca de áreas verdes e prontas para serem exploradas!

Selecionei algumas fotografias que tirei enquanto exploro a câmera. Pretendo guardá-las para fins de comparação ao longo do meu aprendizado. Enjoy!



Meu deuse, olha esse focinho * -*


Aqui ficou bem granulado por conta do desequilíbrio Iso/obturador :x

Uma andorinha descarregada (Monty Python feelings)



Aqui estava testando a questão do foco/desfoque



Para vocês terem ideia, este era um jatinho. Não aproximei o máximo que dava, até porque estava usando o foco automático, e a distância e o movimento do avião não ajudaram...

Tem um grande motivo para eu sempre estar perto desses pinus. Entendedores entenderão huehuehueheu >.>

Eu sei que são pragas ambientais... Mas essas árvores são tão bonitas 😗

torsdag, mars 26

Quarentena & Plague Inc.

Devido à pandemia de coronavírus, estou trabalhando em regime home office desde a última quarta-feira, embora a mudança brusca de rotina e os dias de isolamento deem a impressão de fazer bem mais tempo. A sensação que eu tenho ao ligar nas notícias (que vejo majoritariamente via youtube) enquanto preparo o café da manhã é de estar vivendo dentro de um filme de ficção científica. Os dias estão silenciosos, as ruas quase desertas, com pouquíssimos carros e ônibus circulando. E isso que moro no centro de uma cidade grande. Parece que todo dia é domingo. Lojas, restaurantes, tudo fechado. Até quarta-feira passada a vida seguia normal. De repente, puff! Todo mundo fica fechado em casa em uma quarentena.
Ficar fechada em casa nunca foi um problema pra mim, ainda que eu perceba que não é saudável, mesmo pra uma pessoa antissocial como eu. Eu gosto de trabalhar sozinha, no meu espaço. Não precisar interagir com as pessoas todos os dias e poder ficar mais à vontade. Mas a situação atual está estranha. Minha rotina é trabalhar na frente do computador até mais ou menos umas 5 da tarde e depois preparar meu café, abrir a steam pra jogar e o discord pra conversar com a galera. Por mais estranho que pareça, me adaptei à rotina de ouvir as noticias enquanto jogo (tenho acompanhado as coletivas de imprensa ao vivo).
É estranho parar todas as atividades tão subitamente. No mesmo dia que decretaram regime home office na editora, recebi e-mail da professora de sueco cancelando as aulas. O curso de polonês (ainda não comentei aqui, mas comecei curso há umas duas semanas) também foi cancelado. Na mesma noite proibiram as viagens interestaduais. Em torno de umas 8 da noite desse dia, teve panelaço contra o presidente. O negócio foi grande. Mas não para por aí. Na semana passada minha mãe fez uma cirurgia pra retirar o útero. A cirurgia foi na segunda-feira e ela acabou tendo reação da anestesia: dor de cabeça muito forte e ânsia de vômito. Teve que ir pro hospital umas duas vezes pra tomar soro. Foi só no sábado que ela começou a melhorar. Digamos que hospitais não são exatamente o melhor lugar pra se estar no meio de uma pandemia... Ainda que seja numa cidade pequena que ainda não apresentou casos. É... são tempos estranhos oO
A parte boa aqui sendo bem egoísta é estar trabalhando em casa. Nada como poder acordar uns minutinhos antes de dar o horário heuehueheu. Eu costumo levantar às 5:40 da manhã pra tomar um banho, engolir o café da manhã rápido (e cedo demais, de forma que não tenho apetite...) pra sair de casa às 6:25 se eu quiser ir caminhando com calma até o ponto de ônibus, que fica a 15 minutos de casa. De busão vai rápido: 12 minutos e eu já desço perto do trabalho, fora mais uns 8 minutos de caminhada. Começo a trabalhar às 7:30 :c Agora, 8 horas eu ainda estou na cama, posso tomar meu café de boas enquanto ligo o computador e organizo os arquivos para trabalhar. 
Esse ganho de tempo diário acaba sendo positivo pra quem mal tinha tempo pra fazer o que gostava, como jogar 🎮
Nesse clima de quarentena, nada melhor que jogar Plague Inc., jogo em que você é um bioterrorista cujo objetivo é dizimar a humanidade. Não por acaso, ainda nas primeiras semanas do surto de coronavírus na China ele bateu record no número de downloads. Veja aqui: link.


Na imagem acima eu já havia avançado bastante no quesito infecção com a minha bactéria de sífilis :B
Pra quem não sabe, o Plague Inc. foi muito elogiado pelo Center of Diseases Control (CDC) dada a abordagem realista com que trata o comportamento de microrganismos patológicos e surgimento de pandemias. Ao lado de Spore - que simula a evolução desde seres unicelulares permitindo ao jogador criar diferentes espécies - o jogo tem sido usado no ensino de biologia em escolas. Portanto, é uma ótima pedida pra quem curte microbiologia 🔬
No início da campanha você deve criar uma super bactéria (mas também existe a campanha de vampirismo). Após a primeira vitória, outros parasitas vão sendo destravados: vírus, fungos, protozoários e até onde eu me lembre, vermes. Um dos pontos cômicos do jogo são as notícias que aparecem no topo da tela, fazendo alusão a elementos da cultura pop ("Terry Pratchett voted best author ever!") e games (Half Life 3 confirmed!"). À medida que a doença avança pelo mundo, o jogador precisa atrasar o desenvolvimento da cura - cujo progresso é representado pelo ícone azul no canto inferior direito da tela. 
É claro que esse não é o único jogo com o qual eu tenho me entretido durante a quarentena, inclusive pretendo fazer uma postagem listando algumas recomendações de jogos com temática pós-apocalíptica. Mas até lá: sobrevivamos!

söndag, mars 8

Jag är på väg!

A segunda postagem de 2020 será dedicada a dois acontecimentos muito fofos e especiais na minha vida: (i) finalmente comecei a fazer curso de sueco! (yey!) e (ii) conheci um sueco no busão a caminho do trabalho! E o mais engraçado é o que liga esses dois acontecimentos: conheci o cidadão exatamente no último dia que eu tinha para fazer a minha matrícula! oO
Bom, não sei se já mencionei isso aqui no blog, mas eu sou absolutamente apaixonada pela Suécia, pela cultura sueca e pela língua sueca! Já havia começado a estudar o idioma por conta própria com alguns materiais que encontrei online, mais especificamente o livro nya mål, que vinha com os áudios. O livro era todo em sueco, então não havia nem aquela ponte entre o inglês para ajudar. Aprendi bastante coisa, mas acabei largando os bets. Até o início deste ano não estudei mais nada relativo à língua, mas como os tempos de mestrado acabaram e voltar a aprender idiomas era um dos meus objetivos, resolvi dar uma fuçada em cursos presenciais.

Não me recordo bem quando, mas há alguns anos eu já tinha pesquisado cursos e descobri que aqui em Curitiba eles ofereciam curso de sueco na Swedcham (Câmara Sueca de Comércio). No site não havia informações acerca de valores, então não fui atrás. Eu imaginava que seria super caro, afinal, é uma língua super exótica e que poucas pessoas têm interesse em aprender. Os únicos perdidos deviam ser os engenheiros que trabalham na Volvo e conseguem transferência pra lá hehehe. Pois então, esse ano finalmente escrevi para a responsável pela instituição aqui na cidade e recebi uma resposta muito legal: o curso era apenas duzentos e trinta reais mensais, com material incluso!


No geral, um valor desses por um curso de línguas é muito barato! Claro, seria apenas uma aula por semana (duração de 2 horas), o que de fato limita muito o contato com a língua. Porém, é muito melhor que ficar sonhando em aprender e não fazer nada. Puxei o meu namorado pra fazer comigo (além de querer companhia e alguém pra praticar, tinha medo que não fechasse turma :c) e aguardei até dar a resposta final. Não é caro, mas é dinheiro heueheueheu. Aí que vamos pro segundo acontecimento.

Pois então @_@. Como falei no post anterior, eu comecei a trabalhar em uma editora no final do ano passado. Por sorte, pego apenas um ônibus para ir ao trabalho. Estava lá eu parada na fila do lado de um senhorzinho esperando o busão chegar. Eu já tinha visto esse senhor outras vezes, percebi um sotaque bem forte que lembrava de colono, mas também de estrangeiro. Ouvi por alto ele falando algo sobre "lá (não peguei onde era) nós"...., "aqui no Brasil vocês...". Eram frases que faziam parecer que ele não era daqui. Até que nesse dia eu ouvi ele (que sempre puxa assunto com as pessoas [sem receber muita resposta {curitibanos ¬¬'}]) perguntar para um senhor com cara de tédio: "o senhor sabe o que é 'fika'? Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Eu mal dei um respiro, virei pra ele e perguntei: "o senhor é sueco?"

Ele me respondeu com uma entonação meio de colono "eu sou". Eu não sei o que foi que me deu, mas mesmo tendo um pouco de receio de falar do nada outro idioma com um nativo antes das 7 da manhã, falei automaticamente e sem o menor medo: "Jag talar lite svenska" (eu falo um pouco de sueco). O senhorzinho (ele tem uns setenta e poucos anos) deu uma risada e falou algumas coisas comigo em sueco. Aí já de volta no português (porque o meu sueco não é lá essas coisas), expliquei que eu perguntei se ele era sueco porque ouvi a palavra 'fika'. Para quem não sabe, fika é uma pausa para café que os suecos fazem várias vezes ao longo do dia. É um momento para relaxar e interagir com as pessoas, seja em casa, na escola ou no trabalho. É algo muito forte na cultura deles.

Eu obviamente tive que conter a minha empolgação na hora, pois quando acontece algo relacionado a alguma coisa que eu goste muito, eu fico eufórica! * -* Eu finalmente conheci um cidadão sueco! Eu estava falando sueco com um nativo! Awwwwwwwwwwww!

Como ele sempre pega o mesmo ônibus que eu (e inclusive desce no mesmo ponto, pois trabalha em um parque perto da editora), sempre nos cumprimentamos e nos despedimos no idioma. Naquela mesma semana levei meu livro pra ele ver. Ele gosta muito de conversar, é um senhorzinho cheio de histórias para contar! Ele é um engenheiro florestal que ensina agricultura urbana pelas ruas da cidade, planta suas hortinhas e faz denúncias quando vê irregularidades! É muito preocupado com o meio ambiente e se revolta com as plantações de soja aqui do país. Certamente é uma pessoa que faz a diferença pro meio ambiente. Certa vez me falou: "as coisas vão melhorar pra vocês aqui" (se referindo a problemas ambientais). Ele está sempre com uma sacola ecológica cheia de garrafas pet e terra e usa um chapéu de pescador. Parece muito aqueles alemães naturalistas que eram personagens de romances do século XIX xD Aqueles que apareciam em cidades pequenas empolgados caçando borboletas e fazendo descrições da flora e fauna local.

No dia que conheci ele eu fiquei tão eufórica que, descendo do busão, mandei trocentas mensagens pro meu namorado: "amoR, conheci um senhorzinho SUECO!", "falei sueco com ele", etc etc etc. Para mim foi um grande acontecimento, dado meu fascínio por conversar com pessoas de outros países, vindos de culturas diferentes da nossa. Convenhamos: não é todo dia que a gente esbarra num sueco. E o mais engraçado foi ter sido no exato último dia que eu tinha para escrever um e-mail para a professora confirmando minha participação no curso. Foi eu chegar no trabalho, abri meu e-mail pessoal e enviei: gostaria de confirmar a minha inscrição. Ela respondeu bem rápido (geralmente leva uns 2 dias para responder hehehe). Véeeeeei, eu sou bem cética, mas levando pro lado da brincadeira: isso foi um sinal ou o quê? xD No mínimo uma coincidência muito bizarra.

Pois bem, como podem constatar da imagem, comecei o curso. Uma dia antes de começar eu comentei com o senhorzinho que ia ter minha primeira aula oficial. No outro dia ele me perguntou como foi (em sueco). Aí aproveitei pra tirar umas dúvidas de pronúncia - as quais ele respondeu prontamente xD. O que eu achei muito legal é que ao contrário de alguns gringos (como alemães), que automaticamente mudam para o inglês quando percebem que a pessoa não fala tão bem a língua (no caso de pessoas que estão estudando o idioma), ele não faz isso. Pra mim isso é muito respeitoso, além de bater com a fama de pessoas super educadas que os suecos têm.

Well, na próxima terça terei a minha segunda aula. Além do curso e das minhas conversas com o meu amigo sueco (ele parece um vovozinho fofo * -*), tenho procurado canais de nativos ensinando a língua. Estou super empolgada e até criei uma playlist com musiquinhas pra ter mais imersão xD Infelizmente é bem difícil encontrar bandas do meu gosto que cantem em sueco. Por isso estou tendo que ouvir umas popzinhas mesmo : p Mas quando a vibe é muito grande, vai um Roxette mesmo (yeyeyeeeee, dressssed for sucessssss). Obs: ODEIO ABBA 😶

Hej då! Ha en bra vecka!

fredag, december 28

O pequeno Felix - e a nossa tentativa frustrada de inserir um novo pet em casa

Como os poucos leitores do meu blog devem saber eu tenho uma gata metida e arrogante chamada Flora. Adotamos ela no início de 2017 e, desde então, ela tem reivindicado o reino da nossa casa para ela, todos os cantos e espaços, desde o chão ao telhado. Chegado o final de ano, tentamos adotar outro bichano pra fazer companhia pra ela. Fomos ao grupo de proteção dos animais aqui da cidade procurar um e encontramos um lindo frajolinha que havia sido abandonado com os irmãozinhos. Segundo a guria que o resgatou, uma galinha estava cuidando dos filhotes. Fomos ao petshop no qual a veterinária da Florinha atende e compramos caixinha, ração, entre outras coisas. Buscamos ele dia 23, mas foi quando chegamos em casa que o pesadelo começou: a rainha cruel da casa começou a rosnar, bufar, xingar, atirar pedras e... enfim, agir como gato ameaçado. Tentamos fazer aquele esquema de deixar o pequeno em um cômodo separado da casa e apenas tirávamos ele de lá quando a rainha se ausentava de seu castelo. Fomos percebendo que além do comportamento da Flora, havia outro problema: ele ainda não havia desmamado. Chorava o tempo todo pela gata, nada estava bom: se colocávamos ele no chão: chorava. Se pegávamos ele no colo, chorava. Até quando estava explorando a casa não fechava a matraca. O pior foi quando a Flora começou a nos atacar: atacava minhas pernas toda vez que eu estava segurando ele. Quando peguei ela no colo, por pouco não deu uma unhada no meu olho. Foi aí que nos desesperamos e vimos que a porra tava ficando séria. 

Felix depois do primeiro banho da vida.

A própria guria de onde buscamos ele nos recomendou levar o bichinho de volta, pois mesmo que todo mundo saiba que gatos são animais difíceis de socializar, a chegada dele podia comprometer a saúde da nossa gata. Chegamos até a dar banho na criaturinha, dar carinho e emprestar os brinquedos da Flora (que deve estar nos odiando por isso), mas ele continuava a sentir falta da gata que o adotou. Dia 26 levamos ele de volta ao lar provisório. Embora seja triste, estamos tranquilos pelo fato de saber que ele está num lar no 
qual as pessoas dão carinho a ele. Além da gata que está cuidando do pequeno, existem outros 11 bichanos que fazem companhia pro bichinho. Aparentemente, foi só chegar lá que ele já começou a se acalmar.
A Flora já está voltando ao normal, o que quer dizer que embora odeie colo, fica um pouco mais calma quando a gente pega ela. Eu queria muito um segundo bichano aqui, mas pelo visto a Flora não está afim de colaborar. Gatos...
A minha dica pra quem já tem um bichano mimado em casa e quer adotar um novo é planejamento. Nunca leve no impulso: converse com o veterinário do seu gato, estude a personalidade dele, compre aqueles sprays de "harmonização" de ambiente especial pra bichanos e estude como será a rotina quando o pequeno chegar. Se esses sprays funcionam ou não eu não sei dizer, mas é melhor do que nada. Não é impossível introduzir bichanos, só é difícil. Difícil pra caraleo = p 

lördag, december 23

Formada!

Depois de 5 anos de graduação, acabei de me bacharelar em linguística pela UFPR! Os últimos meses foram intensos: provas, trabalhos, trabalhos, leituras, análises e reuniões com o orientador. As madrugadas acordada esperando os primeiros raios de sol passarem pela cortina enquanto eu trabalhava na minha mesa de estudos viraram rotina, tanto que entrei em férias agora e ainda continuo ficando ativa até altas horas. Minha monografia - que até pouco tempo atrás não existia - passou a ter cores nas últimas semanas. Todos esses dias e noites de trabalho árduo foram regados a muito café e pizza!





Minha pesquisa contou com a aplicação de um experimento envolvendo julgamentos de aceitabilidade de alguns dados do fenômeno que estou estudando. Organizei questionários, tabulei os resultados e parti pras porcentagens. Cruzei vários dados e obtive alguns padrões. O processo foi bem trabalhoso, de modo que passei dias em função das análises desses dados. Além de trabalhar nessa pesquisa, nesse último semestre também me submeti ao processo seletivo de mestrado, para o qual tive que preparar um projeto de pesquisa, estudar para a prova e fazer uma entrevista defendendo o projeto.

Apesar dos pesares, consegui sair viva! Passei muto bem no mestrado e nos próximos dois anos irei trabalhar com um orientador super fodástico, fazendo pesquisa de campo, desenvolvendo experimentos de coleta de dados e tantas outras coisas lecais! Me formar numa federal foi apenas o início da realização dos meus sonhos. Sei que essa estrada ainda me leva looonge, e eu estou a caminho! Por hora: férias. Vou me acabar nos jogos, ler todos os livros que não tive tempo de ler, assistir south park e sonhar acordada com o mestrado!

torsdag, april 28

Frost ❅

E o frio literalmente "desabou" do nada nas frias terras do sul! Com aquela onda terrível de calor que se abateu sobre nós na maior parte de abril era difícil acreditar nas promessas de inverno rigoroso que estavam sendo feitas para 2016. Mas depois da linda manhã de geada desta quinta-feira eu espero que o frio fique conosco para tomar um chá por longos dias! Neste momento, aqui é Curitiba a temperatura é de 8° C, com  mínimas e máximas que variam de 4° até 17° nos dois próximos dias. Em minha cidade natal, em Santa Catarina, hoje a temperatura chega a 0, no momento também está 8°. Nos próximos dois dias fica entre mínima de 1° e máxima de 17°. E para curtir esse frio: muito chá, quentão, chocolate quente e comida boa! Sem falar nos livros e no cobertor! Viva o outono!

~Geada em Santa Catarina!

lördag, maj 3

Série: Brechós de Curitiba Pt 1: O Brechó do Relógio

Já que meu blog está largado às traças e ao mofo mesmo eu tendo uma quantidade razoável de coisas atrasadas esperando para serem publicadas, vou aproveitar esta semana que estarei de folga na faculdade para começar de uma vez por todas minha série sobre brechós.  Dado meu gosto antigo e refinado, não é de se estranhar que eu tenha uma quedinha por brechós, por isso pretendo escrever sobre alguns brechós de Curitiba, focando principalmente naqueles localizados no Centro Histórico da cidade. Curitiba é uma cidade cheia de easter eggs para aqueles que gostam de se embrenhar pelos quatro cantos em caminhadas de final de tarde, de olhos arregalados à espreita de lojas interessantes que apenas os mais astutos encontram. Quando se fala em brechós então a coisa fica ainda mais empolgante. Após várias caminhadas na Rua Riachuelo eu encontrei a loja perfeita para iniciar essa série de postagens:

Conhecido como “O Brechó do Relógio”, sua localização estratégica torna o Brechó Curitiba ponto obrigatório na visita de qualquer pessoa que passe por ali. A fachada do prédio – onde antigamente funcionava a relojoaria Raeder – chama a atenção de longe, não só por sua arquitetura antiga e charmosa, mas também por um grande relógio trazido de Leipzig, Alemanha. A decoração surpreende qualquer fã de antiguidades: são bonecas antigas, louças, pinturas de diversas épocas, relógios e móveis restaurados por quem entende de decoração. 

O que achei particularmente interessante nessa loja é a facilidade com a qual se encontram peças para eventos históricos e teatrais. Em uma de minhas peregrinações em busca de alguma peça para usar no Torneio Medieval que terá na região metropolitana eu encontrei um lindo vestido preto de veludo. O corte dele se assemelha mais às roupas masculinas da época, mas não é nada que uma reforma não dê jeito. O mais surpreendente? Paguei apenas R$ 16 na peça! Para quem procura por anáguas, o Brechó Curitiba também é ponto obrigatório.

Atentem para o fato de que infelizmente nem tudo na loja está a venda! Quadros, mobília antiga e algumas bonecas são meramente objetos decorativos. Porém, há algumas exceções: Em uma de minhas primeiras visitas ao local me apaixonei por algumas bonecas com mais de cem anos de idade que estavam sendo vendidas para colecionadores (adoraria ter tirado foto delas para incrementar a postagem, mas os compradores foram mais rápidos do que eu). Lindos conjuntinhos de xícaras e píres de porcelana também estão expostos na vitrine, esperando que ladies à moda vitoriana passem em frente com suas sombrinhas e ao vê-las, acabem se lembrando que precisam de louças decoradas para seu chá da tarde... 


PS: Perdoem meu hábito de tremer na hora de bater a foto, ah, e também a péssima qualidade da minha câmera!



Detalhe do provador e da vitrine: decorados com obras de arte, lustre customizado e quadros de pop art:




Já pensou encontrar Homer Simpson, Fofão (e seu irmão(?)), E.T., Shreak, Fiona e um dos três porquinhos no mesmo lugar? No Brechó Curitiba isso é possível!



De acordo com algumas matérias que andei lendo sobre a loja, o proprietário pretende expandir o local transformando-o também em um café. Seria no mínimo interessante se além de oferecer café e doces o ambiente também funcionasse ao som de baladinhas retrô, eh? 

Para mais informações:
Endereço: Rua Riachuelo, 147 Centro – Curitiba –PR.
Fone: 9817-4047
Para vendas ou trocas, falar com Lili.

~ Conselhos de um caracol [Atualizações do Walter]

Meses após meus últimos escritos neste espaço, retorno para dar atualizações sobre este senhorzinho (OMS, 2026) 1 espiralado que tem tornad...