Comecei a jogar GCK quando eu ainda nem tinha o meu computador. Infelizmente nĂŁo me recordo da idade exata que eu tinha na Ă©poca, sĂł sei que era entre 12 e 13 anos. Meu tio como sempre havia comprado um jogo por achar interessante, mas ele comprava e quem jogava era eu (sortuda). Esse foi o primeiro jogo mais complexo que eu joguei na minha vida, apĂłs anos de Super MĂĄrio, Charlie The Duck, South Park e demais joguinhos daquelas revistas de “500 Jogos – Sem instalação!! :D”.
Eu queria jogar todos os dias e estava viciada aponto de sonhar que jogava durante a noite. Claro que eu nĂŁo podia me divertir nesse universo quando bem queria porque o computador nĂŁo era meu, dessa forma acabei ficando um longo e doloroso tempo sem ter contato com ele. Finalmente numa tarde ensolarada e tediosa, emprestei a revista (manual do jogo) que estava jogada num canto e a fim de matar a saudade, comecei a ler. E que leitura fascinante! Nunca me diverti tanto lendo um manual!
O manual falava sobre todos os personagens, estruturas encontradas enquanto exploramos as ilhas, armas, encantamentos, interface do jogo e movimentação dos personagens, etc, mas tud escrito de uma forma engraçada e descontraĂda. O melhor de tudo Ă© que eu nĂŁo havia avançado muito nos nĂveis do jogo e entĂŁo boa parte do que eu estava lendo era desconhecida para mim. Eu havia empacado na segunda missĂŁo do capĂtulo dois dos Meccs (cada capĂtulo Ă© composto por diversas missĂ”es em ilhas diferentes).
A histĂłria do jogo se passa em exĂłticas ilhas de um planeta desaparecido hĂĄ muito tempo. AlĂ©m da beleza dos grĂĄficos que sĂŁo muito caprichados para um jogo feito hĂĄ uma dĂ©cada, o cenĂĄrio Ă© bem atmosfĂ©rico, com sons de fenĂŽmenos naturais (um delicioso farfalhar ouvido mais intensamente quando vocĂȘ se aproxima das ĂĄrvores), o vento quando vocĂȘ sobe no alto de uma montanha, o barulho da ĂĄgua do mar em contato com estruturas como pontes de madeira e barcos ancorados e o som dos pĂĄssaros combinados com os produzidos por criaturas nativas, como monstros que nunca aparecem no jogo e que muito provavelmente se encontram em ilhas vizinhas, sons que vocĂȘ houve quando chega perto de algumas das estruturas (geralmente torres de guarda e acampamentos das Reapers). Isso tudo sem falar da maravilhosa trilha sonora composta por uma seleção incrĂvel de mĂșsicas clĂĄssicas de ação e aventura.




Foi nesse mundo que eu cresci, de criança atĂ© prĂ©-adolescente e depois para minha adolescĂȘncia. Sendo uma pessoa bem diferente e fora de sintonia com os outros, eu preferia ficar sozinha na escola. EntĂŁo eram os personagens do jogo que me faziam companhia, brincavam comigo e me faziam sorrir com uma alegria tĂŁo pura e inocente que sĂł as crianças tĂȘm. As ilhas eram o meu segundo mundo (ou primeiro, pois eu geralmente passava mais tempo lĂĄ do que aqui), era um refĂșgio no qual eu me isolava do resto do mundo e podia me considerar livre, normal, sendo eu mesma. LĂĄ eu me sentia em casa, pois era um mundo despreocupado no qual as coisas eram como eu queria sem aquele peso da realidade.
Eu chegava na escola de manhã e ficava lendo a revista do jogo pela milésima vez. No recreio ficar sozinha na sala era o que eu mais queria, pois eu ficava escrevendo as histórias dos meus próprios jogos (naquela época eu queria ser uma designer de jogos, como é bom ser criança) e quando chegava em casa, jogava a mochila num canto e jå ligava meu computador e entrava no meu mundinho particular, meu mundo alternativo em 3D.


Durante a tarde eu fazia pipoca com calda de chocolate e ficava na frente do pc dando uma pausa e ouvindo as mĂșsicas que tocavam durante o jogo. Ah, mĂșsica? Claro, e o meu playlist da Ă©poca? Me lembro de jogar e voar pelas minhas ilhas com o meu foguete a jato de combustĂvel limitado dos Meccs ao som de bandas de rock alternativo, entre as que mais se destacavam: Learn To Fly do Foo Fighters, Every Morning do Sugar Ray, Fly Away do Lenny Kravits, Stuck In A Moment do U2, How You Remind Me do Nickelback (sim. Era fĂŁ deles desde esses tempos remotos), It’s My Life/Have a Nice Day do Bon Jovi e muitas outras.

Foi assim por dois longos anos a minha vivĂȘncia nesse mundinho paralelo, atĂ© eu acabar enjoando por nĂŁo ter mais o que fazer de diferente no jogo, pois GCK nĂŁo Ă© um desses games modernos de RPG nos quais vocĂȘ pode fazer o que quiser. Pelo contrĂĄrio, ele Ă© um jogo no qual as coisas sĂŁo bem limitadas e deixa muito a desejar se comparado aos atuais. PorĂ©m, reforço o que disse: para um jogo feito hĂĄ tanto tempo ele Ă© bem caprichado e compensa muito. Acaba nĂŁo sendo um cansativo jĂĄ que o foco dele Ă© simplesmente simplicidade e diversĂŁo.

Bom, depois desses dois anos tive a oportunidade de jogar online, o que foi problemĂĄtico para a minha internet discada da Ă©poca. De uma forma ou de outra foi muito legal e eu conheci muita gente do mundo todo. O interessante Ă© que eu fiz boas amizades e ainda tenho contato com algumas hoje em dia. Na Ă©poca o meu inglĂȘs era vergonhoso, mas para quem ainda nĂŁo tinha feito um curso eu atĂ© que entendia bastante coisa. Inclusive isso foi uma coisa pela qual eu me interessei ainda mais apĂłs conhecer esse jogo. JĂĄ gostava de inglĂȘs e estudava sozinha quando criança, mas com Giants minha vontade e sede de conhecimento aumentaram muito, tanto que eu atĂ© tive a idĂ©ia de fazer uma tradução dos diĂĄlogos de GCK. No fim, exatamente trĂȘs meses depois de conhecer aquele pessoal todo de outros paĂses, eu comecei meu sonhado curso de inglĂȘs e descobri o que era ser a sabe tudo da sala, alĂ©m de ser bem prĂłxima da professora, com quem fiz uma amizade muito especial. Ah eu sinto tanta falta daqueles tempos...
Naquela Ă©poca meu playlist havia se modificado e entre minhas mĂșsicas preferidas da Ă©poca estavam: Dirty Little Secret do The All American Rejects, Dance Dance do Fall Out Boy, Have A Nice Day do Bon Jovi, I Write Sins Not Tragedies do Panic! At The Disco, Best of You do Foo Fighters, Losing My Religion do R.E.M. Foi nessa Ă©poca que virei fĂŁ incondicional do Nickelback, ficando tĂŁo viciada que passei os dois anos seguidos ao som deles diariamente, A mesma coisa aconteceu cm tambĂ©m Nirvana. Ah, bons tempos sem dĂșvida!
Como provam as imagens que vocĂȘs podem ver ao longo do artigo, GCK Ă© um jogo incrĂvel que lhe dĂĄ a possibilidade de explorar um mundo cheio de ilhas majestosas, completamente diferentes umas das outras. ilhas onde o cĂ©u Ă© algo feito para se admirar, com nuvens tĂŁo coloridas que noz fazem pensar que fomos transportados para um mundo no qual o crepĂșsculo dura uma eternidade.
Mas vocĂȘ nĂŁo estĂĄ nesse mundo como um mero humano, a variedade encontrada nas trĂȘs raças principais Ă© incrĂvel. JĂĄ imaginou poder voar por este cenĂĄrio fabuloso e ficar tĂŁo absorvido pelo jogo a ponto de chegar a sentir um frio na barriga? Ă exatamente isso que vocĂȘ pode fazer/sentir jogando com um Mecc. AlĂ©m de poder voar, essa raça tem acesso a muitos apetrechos; como por exemplo, uma mochila que transforma seu personagem em um arbusto (o que o torna invisĂvel aos olhos do inimigo); um escudo ou atĂ© mesmo uma mochila-bomba que quando ativada explode causando dano a uma enorme ĂĄrea.
Agora não pense que GCK se resume à tecnologia avançada. Talvez o contraste mais interessante no jogo seja que a magia também estå presente nele como um dos elementos principais.
Dominando as Sea Reapers vocĂȘ pode usar diversos encantamentos elementais e mostrar para os seus inimigos quem Ă© que estĂĄ no comando. Elas podem se teletransportar para locais remotos, criar explosĂ”es mĂĄgicas, diminuir a velocidade do tempo, encolher o inimigo, se transformar numa luz que envenena qualquer criatura que entre em contato com elas, invocar um tornado ou um monstro marinho com a habilidade de cuspir uma gigantesca bola de fogo capaz de chegar em qualquer ponto da ilha que elas desejarem, entre muitos outros encantamentos que podem ser comprados na loja de feitiços (Spell Shop).
Tanto os Meccs quanto as Sea Reapers necessitam recarregar suas muniçÔes. As lojas de munição/feitiços podem ser encontradas nas maiores ilhas. Normalmente alguns guardas das Reapers estão guardando o local, isso quando não hå uma torre de tiro para cumprir esta função.
As habilidades de Kabuto jĂĄ sĂŁo mais limitadas (e eu diria que as menos divertidas). Ele pode dar enormes saltos e arremessar coisas ou criaturas no mar ou em outros oponentes – o que Ă© uma Ăłtima arma.
E sĂł para constar: durante todo o artigo eu dei mais ĂȘnfase ao Single Player. Os jogos online tambĂ©m sĂŁo muito divertidos, porĂ©m, algumas das idĂ©ias que os criadores do jogo tiveram nĂŁo funciona de forma adequada pra partidas entre mais jogadores. Um exemplo disso Ă© a categoria de Construção de Base. Enquanto que no modo para apenas um jogador construir uma base Ă© algo bem divertido, no jogo multiusuario nĂŁo passa de algo chato no qual os recursos nĂŁo podem ser muito aproveitados. As partidas online geralmente resumem-se em dois grupos de pessoas se matando para obter pontos para a equipe toda ou individualmente.
GCK: HistĂłria e Personagens Principais
Chegou a hora de apresentar de uma vez por todas um pouco sobre a trama do jogo, do que se trata e quais são os personagens envolvidos. Deixo claro que a descrição dos mesmos não foi feita por mim, e sim tirada da revista:
Meccaryns
Cinco trabalhadores alienĂgenas: Baz, Tel, Reg, Gordon e Bennett – conhecidos tambĂ©m como Meccs; em fĂ©rias a caminho do conhecido planeta Majorca, sĂŁo engolidos por um peixe espacial gigante e defecados nas vizinhanças de um planeta formado por diversas ilhas. Forçados a permanecer na ilha para consertar sua nave, os Meccs tĂȘm a vantagem de trabalhar em grupo e sua tecnologia superior para enfrentar seus atacantes. O objetivo deles Ă© consertar a nave e voltar para suas merecidas fĂ©rias em Majorca, mesmo que tenham que matar tudo na ilha...
Sea Reapers