Sunday, December 2

"Homem vive em cenário de contos de fadas nos EUA" - Omg!

Ao abrir meu facebook hoje pela manhã eu me surpreendi com uma matéria compartilhada por meu professor de sociologia. Fiquei fascinada e muito alegre em ver que ainda existem muitas pessoas criativas e mágicas nesse mundo perdido. O artigo fala sobre um senhor norte americano de 60 anos que de fato criou seu próprio mundo em suas terras, tornando delas um verdadeiro cenário tão épico quanto o condado dos Hobbits. Só digo uma coisa: É de pessoas assim que o mundo precisa!


O norte-americano SunRay Kelley, 60, vive no meio de uma floresta no Estado de Washington, nos EUA. Ele construiu sozinho sete casas, 10 lagos, uma cabana de eremita, uma imagem de Jesus de 10 metros de altura e um estúdio de yoga, em um cenário que lembra o de um conto de fadas - Esse cara lembra muito o Tom Bombadil do Senhor dos Aneis.

Dê a um sujeito alguns alqueires de terra e uma semana no mato, e ele logo vai começar a planejar seu castelo. Mas apenas uma alma incomum, contudo, começa a construir sete casas, 10 lagos, uma cabana de eremita, um Jesus de 10 metros de madeira de lei e um estúdio de yoga cuja porta cor de rosa esculpida lembra (com verdadeira precisão anatômica) a genitália feminina.

O senhor das terras é um animal sem dono que anda descalço de 60 anos chamado SunRay Kelley. E sua fantástica propriedade construída à mão fica no fim de uma estrada de barro que tem o nome de seu avô, no sopé da serra Cascade, ao Norte de Seattle. A melhor forma de descobrir o trabalho de SunRay Kelley (um Taliesin hippie) é fazer uma peregrinação. Um visitante assíduo é o autor e fundador da Shelter Publicactoins, Lloyd Kahn, cujo livro definitivo nos anos 70 sobre arquitetura regional, “Shelter”, é um marco do estilo de Kelley. “Foi uma espécie de odisseia”, disse Kahn ao telefone de sua própria casa feita à mão em Bolinas, Califórnia. “Ele de fato é um artista. Ele não se envolve muito com os detalhes do mundo real”.

 Kelley construiu talvez 50 estruturas quiméricas irregulares pelo continente, desde palácios campestres assustadores até cabanas de Smurfs. Ainda assim, ele prefere ficar no que ele chama de “a propriedade” por dias ou semanas sem fim. Aqui, ele é livre para empilhar discos de tratores para se tornarem antenas cósmicas e arrastar toras que sussurram suas intenções. “Quando ele diz que ouve a natureza, de fato, ele ouve”, disse Kahn. “Acho que é provavelmente o maior construtor com materiais naturais. Não tem ninguém como ele em lugar algum”. (A lenda de Kelley deve chegar aos lares norte-americano no dia 7 de dezembro, quando seu trabalho será mostrado em um episódio de “Home Strange Home” da Hgtv).


Uma recente manhã de sábado encontrou Kelley mexendo no jardim enquanto fumava um cigarro de ervas para evitar o tabaco. Ele se medica desta forma em certos momentos do dia, como quando se levanta e ainda não comeu. Durante os anos, ele caiu de telhados, quebrou um tornozelo e os dois pés. O quadril está seriamente afetado. Mais misteriosamente, ele adquiriu um estigma na testa, uma ferida que chora em certos momentos do dia. Na primavera, ele estava em cima de uma escada, cortando algumas tábuas de cedro no telhado de sua oficina. Aí, a serra agarrou na borracha do telhado e “Chu-chu-chu! Bateu na minha cabeça com toda força”, disse ele.

A narina direita dele se abre como uma tenda. “Não é a experiência mais agradável”, continuou. Em sua vida, Kelley transformou o cenário em seu terreno de nove acres. E o cenário, invariavelmente, o transformou. Nos anos 20, seu avô estabeleceu-se em uma propriedade em 1,6 km quadrado de mata aqui na base da montanha Cultus e abriu uma serralheria. Seu pai criou algumas dezenas de bois em uma pequena parte da terra. Nenhuma das vocações atraiu a Kelley.





“O planeta é uma floresta, é um jardim”, disse ele. “Eu não gostava de construir cercas ou de caçar os bois. Você não tem que caçar essas” -esticou-se e pegou uma maçã das 200 árvores que ele mesmo enxertou.

 A umidade do inverno criou décadas de limo nos membros contorcidos da macieira, que parece uma criatura de lenda. A madrasta da Branca de Neve não poderia ter criado uma árvore mais fantasmagórica. Mas Kelley tem um jeito de conto de fadas ele mesmo, troncudo, com cabelos emaranhados e barba fértil. Sua parceira há oito anos, Bonnie Howard, professora e construtora, conseguiu aparar a juba dele apenas uma vez. “Quando fomos construir em Costa Rica”, lembra-se, “os cigarros dele se apagavam com seu próprio suor”.

 A parte favorita do terreno de Kelley fica na base de um morro lamacento, do outro lado do que Howard chama de “ponte de Billy Goat Gruff” (construída com um velho chassi de caminhão). Kelley mancou até uma floresta escura e profunda. “Esta é a última floresta secundária”, disse ele, apontando para alguns cedros altos. “Esses aqui tinham 40 anos quando os vi pela primeira vez. E eles só cresceram e ficaram mais mágicos”.







Os tocos antigos são ainda mais largos. Kelley pendurou uma pequena armação que ele chama de Cabana do Eremita em cima de um deles. “Este tem pelo menos mil anos”, disse ele. “Você não consegue fabricar uma fundação que dure muito mais do que isso”. Ainda assim, dentro desse menino do campo, existe um louco por motor, confessou. O caminhão de entregas dele é um Diamond T de 1947, que ele mesmo reconstruiu. Contudo, ele costuma ir para a cidade em uma bicicleta reclinada que ele reformou e aparelhou com um motor elétrico e freios regeneradores. Kelley anda com esse veículo-conceito em até 80km por hora.

“Quando você anda assim tão perto do chão”, disse ele, o pavimento “parece uma lixa gigante. Se você cair, não vai sobrar muita pele”. (É possível encomendar a bicicleta de Kelley, para os mais ousados). Seu próprio motor gira o dia todo, todos os dias, segundo Howard, 50. “Ele é igual um desenhista compulsivo, só que é um construtor compulsivo”.

Kelley então abre o caminho morro acima, na direção de um abrigo primitivo. Há alguns anos, o filho de Howard, Eli Erpenbach, hoje com 16, construiu um pequeno forte com galhos caídos na floresta. O arquiteto da casa de toco oco ali perto foi o neto de 11 anos de Kelley. “Esses são os humildes primeiros passos de um construtor”, disse ele, com um olhar aprovador. “Isso é exatamente o que eu fazia quando era criança nessas matas. Acho que eu nunca parei, de fato”.

Em algum momento, Kelley morou em quase todas as moradas na propriedade. Primeiro, veio a Casa Terra, em 1976, onde ele moldou quatro mãos de bronze para sustentar as vigas do telhado. Depois, Kelley se mudou para uma oficina perto de um apartamento que ele chama de Buzina, cujas vigas antigas não pareceriam fora de lugar em Winterfell. Amigos e viajantes se mudaram para esses locais e ficaram meses ou anos, ajudando nas contas.

 Em 1998, Kelley deixou relutantemente o que talvez fosse sua maior casa, a Casa Céu, lembra-se uma moradora de longa data da propriedade. “Eu expulsei ele”, disse Judy, ex-mulher de Kelley. Por acaso, ela passou por ali com seu novo marido para pegar algumas maçãs e parou para bater um papo. (Ela preferiu não dar seu último nome, disse ela, pois tem um emprego respeitável no mundo careta). Viver com Kelley foi uma aventura e uma tribulação, disse Judy. “Sempre havia uma série de visitantes interessantes passando por aqui: circos, artistas, iogues, gurus”.

 Quanto tempo os convidados ficavam? “Até terem comido tudo o que tínhamos”, disse Judy. “Saíamos um dia e quando voltávamos tinham comido tudo –inclusive as galinhas”. Judy ainda é dona e aluga seu antigo estúdio de yoga (O que você tem quando cruza yoga com uma iurta? O que Kelley chama de “Iogurte”). Ele esculpiu as dobras ondulantes em torno da entrada durante sua primeira paixão com o “cob”, um cobertura que mistura terra, palha e água. Judy também aluga a Casa Céu, uma maravilha de quatro andares que parece uma igreja rural russa. Aqui também, a ornamentação é furiosamente imaginativa. As colunas de madeira se projetam para além do teto como um mastro ou uma presa de narval. O mastro exposto fica úmido durante as chuvas intermináveis do outono.

 “Adoro deixar eles expostos, apesar de apodrecerem”, disse Kelley. “Não é uma boa ideia”. Kelley nunca foi refém da praticidade. Como disse sua ex-mulher: “Nada era terminado. Nunca. Isso me deixava louca”. O aquecimento também era um problema, no sentido que não havia nenhum. “Uma coisa eu posso dizer sobre Ray, ele não consegue construir um sistema de aquecimento”, disse ela. Kelley respondeu: “Não é verdade. Venha ver minha casa agora”. Judy não estava inclinada a aceitar o convite. “Algumas vezes eu chorava, de tanto frio”, disse ela. Kelley admitiu: “Houve alguns anos realmente frios”. A reclamação parece ter terminado e ela o abraça. “Mas nossos filhos cresceram saudáveis. Eles quase nunca adoeciam. Eles colavam no chão, os dedos duros”.

 Kelley começou a construir sua atual residência, a Casa Jardim, de uma forma ad hoc. Ele precisava de um lugar para dormir. Mas isso não é muito diferente de seu método usual. “Eu pratico o que eu chamo de arquitetura evolutiva”, disse ele. “Isso significa que você faz planos, mas se surgir uma ideia melhor amanhã, você está disposto a mudar os planos”. Por 15 anos, até este verão, os planos não incluíam armários ou iluminação moderna. “Nunca fui muito fã de luzes elétricas”, disse Kelley. “Tenho olhos de gato. Emito luz suficiente com o meu corpo”.

Muitos dos atuais projetos de Kelley são pequenas construções modulares que podem custar apenas US$ 15.000 a US$ 20.000 (entre R$ 30.000 e R$ 40.000); variações de iurtas. Raramente você precisa de uma licença para construir ou um empréstimo para montar uma cabana de 20 metros quadrados para morar ou como uma sauna com um forno de pizza.

 Kelley pode construir um abrigo desses na oficina, entregá-lo e montá-lo em uma ou duas semanas. Neste ponto, os clientes são livres para terminar a casa da forma que quiserem, e Kelley está livre para ir para casa. “Quando você constrói uma casa para alguém, você tem que ouvir o que eles querem”, disse ele. “Pode ser bem desafiador”. Kelley completou algumas encomendas exaustivas, inclusive o Templo de Harbin Hot Springs, no Norte do Napa Valley. Essa incrível construção tem uma torre de vidro de 20 metros no centro e traves expostas que espiralam para uma cúpula radiante (Kelley adora cúpulas).

 Segundo as estimativas de Kahn, o autor e editor, é uma “obra de mestre” –limpa e geométrica, na qual as estruturas da propriedade parecem “desmazeladas”. Kelley conheceu Howard durante os 18 meses que passou ali, acampado no local da obra. Depois, ela assumiu o papel de gerente de projetos de Kelley. Ou, para ser realista, gerente de tudo dele. Com Kelley fazendo a maior parte de suas refeições cruas, das macieiras ou amoreiras, ela também é a cozinheira da casa. Esta noite, ela está preparando uma truta arco-íris do rio Skagit, pescada naquela manhã pelo seu velho amigo Joe Pitman.

 Howard concordou em pagar a ele com um pedaço de torta de maçã. Mas ele tinha outra tarefa antes: remover uma das botas de Kelley, que estava se recusando a sair. “Em geral, você não usa nada”, disse Pitman. De fato, Kelley andou descalço por anos. “Eu era bastante religioso sobre andar descalço”, disse ele, afundando em uma cadeira na frente da lareira da cozinha. “Depois eu decidi que, de vez em quando, não é bom ser muito religioso sobre nada”.

 Com o problema no quadril, Kelley recentemente começou a pensar em como poupar suas forças. “Não tenho mais a capacidade que eu tinha quando tinha 30 ou 40 anos”, disse ele. “É duro. Você quer ver seu trabalho evoluir, vê-lo melhorar”. Manter a propriedade, em si, já é uma tarefa sem fim. Uma árvore está começando a brotar no telhado cheio de musgos da Casa da Terra. E uma roseira selvagem está tomando as escadas da Casa Buzina. “Quero que durem para sempre”, disse Kelley de suas construções. “Mas a verdade é que tudo é temporal. Tudo está em vias de virar adubo”.

Subitamente, seu rosto se ilumina e ele olha para o aparador. A torta de maçã saiu do forno, e Howard cortou e serviu um quarto dela. Kelley jogou fora seu cigarro, ainda queimando, em uma saladeira com suas ervas medicinais, que começou a arder lentamente. “SunRay sempre começa pela sobremesa”, disse Howard. O companheiro concordou e afundou suas mãos em uma montanha de maçã quente. “Você nunca sabe quando sua bolha vai estourar”, disse Kelley. “Mas sabe que vai estourar. E eu vou comer minha sobremesa antes de ir-me”.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2012/12/02/homem-vive-em-cenario-de-contos-de-fadas-nos-eua.htm

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