Wednesday, June 23

The Birthday Massacre


Recomendo que acessem o site antigo da banda antes de começarem a leitura: Nothing & Nowhere.


Inovadora, dançante, fofinha e macabra, o The Birthday Massacre é uma banda gótica que através de uma temática que pode ser perfeitamente descrita como “Horror & Fantasy”, faz um Synth Pop delicioso. Misturando elementos dos anos 80, vocais sussurrados, melodias encantadoras com um toque sombrio, o The Birthday Massacre faz um som único e viciante. Sabe aquelas bandas que quando você ouve pela primeira vez fazem você pensar: Puxa vida! Por que não ouvi isso antes?! Bem, o The Birthday Massacre é uma delas. 

Eu os conheci em meados de 2007 através da música Queen of Hearts. Ela é do início da carreira deles quando ainda usavam o nome de Imagica (e sinceramente, por mim eles podiam ter continuado a usar esse nome). Assim como outras bandas, ao longo dos quatro discos lançados a sonoridade mudou bastante, mas sem perder o selo de qualidade e peculiaridades que só eles conseguem criar. Eu particularmente prefiro o velho e bom som da fase Imagica, pois as músicas eram ainda mais (i)imágicas do que as mais recentes. De álbum em álbum é possível notar pequenos "retornos" ao passado, tanto que antes do lançamento do último álbum havia rumores de que uma faixa antiga seria regravada. Infelizmente a banda desmentiu, embora tenham admitido terem planos de regravar algumas num futuro próximo. Uma das que eu adoraria ver regravadas (e completadas) é a Velvet. Até um tempo atrás ela era raridade e pouquíssimas pessoas a tinham, tanto que a letra correspondente que alguns sites tinham chegou a ser considerada fake. Não me recordo muito bem, mas parece que ela foi criada apenas para servir como uma música de fundo ou abertura do antigo e saudoso site Nothing & Nowhere. Que o fã que nunca tenha entrado nesse site para ficar ouvindo aqueles efeitos sonoros lindos atire a primeira pedra! 

Eu tenho claras preferências pela fase antiga justamente pelo fato de soar mais atmosférico, e cá entre nós: isso é característica marcante de bandas oitentistas. Basta ouvir canções como Sweet Dreams do Eurythmics e Small Town Boy do Bronski Beat para comprovar. Os primeiros trabalhos do The Birthday Massacre também mostravam claras influências do darkwave, muito mais do que hoje. Boas comparações seriam Autumn Angels, Diva Destruction e The Frozen Autumn. Uma das coisas que mais me cativavam era o instrumental e o vocal que pareciam distantes e abafados, mas não de uma forma que tornasse o som de má qualidade, apenas dava um ar de mistério, como se o ouvinte se encontrasse em um bosque encantado e ouvisse a música soprando com o vento. A banda faz uso de diversos efeitos sonoros que reforçam bem esta ideia, pois do início ao fim das músicas é possível ouvir vozes e risadas infantis misturados com o sopro do vento e com o som de algo muito parecido com aqueles penduricalhos que as pessoas colocam em suas casas (e que emite um barulho muito agradável!). 


O talento da vocalista Chibi é outra coisa que não pode passar despercebida. Dotada de uma voz versátil, ela vai do dócil ao gutural (tanto que no início eu pensava que o refrão da Broken era cantada por algum dos caras). A canção Blue é outra na qual ela faz um gutural trevoso, já em Nothing & Nowhere, sua voz soa mais adulta e novamente, bem parecida com a das cantoras dos anos 80, ao contrário de Nevermind, quando Chibi nos surpreende com seu toque infantil, parecendo uma garotinha.

Um ponto muito interessante sobre a banda é o fato de usarem um tipo de ilustração oitocentista chamada "Arte da Silhueta" na arte dos álbuns. Todos os discos possuem exóticas ilustrações que mesclam o preto e o roxo, criando um aspecto macabro e infantil ao mesmo tempo. Com exceção da menina na capa do Violet, todos os misteriosos personagens que aparecem nas sombras usam orelhas pontudas de coelho. Você já deve ter ouvido pelo menos umas cem vezes o ditado: Não julgue um livro (ou nesse caso, um disco) pela capa. Bom, eu diria que o The Birthday Massacre foge dessa regra.



A respeito da discografia: O The Birthday Massacre foi formado oficialmente em 1999, inicialmente com o nome de Imagica. Lançaram uma demo com algumas músicas que foram regravadas mais tarde (infelizmente nem todas). Em 2002 é lançado de forma independente o primeiro disco intitulado como “Nothing & Nowhere”, curiosamente o nome de uma das canções presentes na demo que não foram regravadas. No que diz respeito à sonoridade, não houve grandes mudanças senão por uma melhora na qualidade técnica do som. Acho que a palavra que mais sintetiza o álbum seria: mágico. Pense como seria abrir um livro dos contos de fadas dos Irmãos Grimm e ouví-lo: cada história sendo contada por meio de músicas com sons que representam as crianças brincando nas florestas. Certamente não é por acaso que o encarte desse disco vem com a ilustração da silhueta de um menino tocando uma flauta com vários ratos o seguindo em fila indiana, fazendo alusão ao flautista de Bremem. Para que você entenda e consiga captar bem a essência, insisto que visite o link que coloquei no início da postagem.

Em 2005 foi lançado “Violet”. Trazendo algumas versões de músicas anteriores um pouco melhoradas, isto é, gravadas com mais recursos, o disco rendeu um vídeo muito bem produzido da faixa Blue, levando-os a ficarem mais conhecidos. Entre os upgrades de canções mais antigas estão Lovers End, Video Kid, Happy Birthday e Horror Show. Como sou chata eu ainda prefiro a versão demo da Lovers End, que é inclusive uma das minhas preferidas. Foi ela que fez eu me encantar pelo universo da banda, ao lado de Queen of Hearts e Remember Me. 








2007 é o ano de lançamento de “Walking With Strangers”, álbum que mostra um The Birthday Massacre mais maduro musicalmente. Dessa vez mais duas músicas foram regravadas: Remember Me e To Die For. Para o desgosto de muitos a primeira foi totalmente mudada, de um ritmo lento para uma melodia mais dançante. Eu particularmente prefiro a antiga, mesmo achando válida a transformação que praticamente criou duas músicas diferentes. O ponto negativo da fase Walking With Strangers pra frente é que a partir dela acabam aquelas faixas instrumentais que serviam como uma ligação interessante entre as canções. A próxima desse estilo só vi aparecer lá na frente, no sexto álbum da banda. 


Em 2010 os canadenses voltam com o “Pins and Needles”, no qual as guitarras estão bem mais proeminantes se comparado aos álbuns anteriores. O vocal da Chibi está mais uniforme do início ao fim, fazendo gutural apenas em uma música. Se no “Walking With Strangers” a banda inovou, nesse então nem se fala. O peso das guitarras e algumas letras fizeram o lado macabro se sobressair ao da fantasia, tanto que nenhuma música dele me transportou para os bosques encantados. Praticamente não dá para comparar com seu antecessor dançante. É o álbum que eu menos ouvi, pois não me agradou muito a linha mais "rock" que eles seguiram. 


O próximo disco foi o "Hide and Seek". Ao contrário do que eu pensava, em vez de seguir à risca a linha do Pins and Needles o som retornou um pouco ao que era antes, mesmo a proposta sendo bem diferente. Digamos que o WWS tenha aquele ar mais "garotos de colegial", pois ouvindo canções como Weekend, Goodnight e a própria faixa título temos uma impressão de toque infantil. No caso do Hide and Seek (com exceção do nome) no geral as músicas soam mais adultas, tanto pelo vocal quanto pelos temas que elas abordam. Na minha opinião esse é o álbum com mais músicas melancólicas e lentas que eles lançaram até hoje.  Também não é dos discos que eu mais ouço, mas ele me agradou muito mais do que o anterior.


Recentemente a banda lançou seu sexto álbum: Superstition. Algumas pessoas (principalmente aquelas que não ouvem os álbuns com tanta frequência) podem achar que eles não inovam, mas quem sempre tem as músicas no playlist e acompanhou os lançamentos ao longo dos anos consegue ver bem o quanto a banda inova e muda em cada álbum. O Superstition me agradou muito por ter voltado às raizes e manter os sintetizadores em primeiro plano. Ele conta sim com uma faixa bem pesada, a The Other Side, mas no geral não é o peso que chama a atenção. Não chega a ter a tristeza de algumas canções do Hide and Seek, mas é bem mais calmo em relação ao Pins and Needles. 

Para finalizar, deixo aqui minhas músicas preferidas como dica para quem quiser se aventurar no universo da banda (clique para ouvir): Queen of Hearts, Lovers End, Violet, Blue, Velvet,  To Die For, Under The Stairs, Remember Me , Horror Show, Goodnight, Holiday, Superstition, Rain

8 comments:

  1. Essa banda é boa demais!! Bem como falaste...
    é viciante!!! auhauahau

    ;)

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  2. vc usou bem as palavras
    Perfeitoo !!
    adorei o comentario
    e TBM é Tudo pra mim ^^

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  3. Eu tbm amo esta banda, lembro-me da primeira vez que a ouvi (com Blue), foi como me encontrar e me perder ao mesmo tempo, é como se eu tivesse encontrado oq faltava para me completar. Bela homenagem pra esta banda dos nossos corações!

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  4. Estou começando a ouví-la mais e estou gostando muito! Muito bom o post!

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  5. Sem palavras para essa ótima banda!!!Fazem músicas incriveís=)

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  6. Tem um fã site brasileiro
    http://TBMBR.blogspot.com

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  7. Amei sua dica, viciei na goodnight rs Helalyn flowers é bem parecido, só que nem tão bom. E o q são essas capinhas? chamaram muito minha atenção, dá vontade de comprar só pela capa uhsuha

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