Recomendo que acessem o site antigo da banda antes de começarem a leitura: Nothing & Nowhere.
Inovadora, dançante, fofinha e macabra, o The Birthday Massacre Ă© uma banda gĂłtica que atravĂ©s de uma temĂĄtica que pode ser perfeitamente descrita como “Horror & Fantasy”, faz um Synth Pop delicioso. Misturando elementos dos anos 80, vocais sussurrados, melodias encantadoras com um toque sombrio, o The Birthday Massacre faz um som Ășnico e viciante. Sabe aquelas bandas que quando vocĂȘ ouve pela primeira vez fazem vocĂȘ pensar: Puxa vida! Por que nĂŁo ouvi isso antes?! Bem, o The Birthday Massacre Ă© uma delas.
Eu os conheci em meados de 2007 atravĂ©s da mĂșsica Queen of Hearts. Ela Ă© do inĂcio da carreira deles quando ainda usavam o nome de Imagica (e sinceramente, por mim eles podiam ter continuado a usar esse nome). Assim como outras bandas, ao longo dos quatro discos lançados a sonoridade mudou bastante, mas sem perder o selo de qualidade e peculiaridades que sĂł eles conseguem criar. Eu particularmente prefiro o velho e bom som da fase Imagica, pois as mĂșsicas eram ainda mais (i)imĂĄgicas do que as mais recentes. De ĂĄlbum em ĂĄlbum Ă© possĂvel notar pequenos "retornos" ao passado, tanto que antes do lançamento do Ășltimo ĂĄlbum havia rumores de que uma faixa antiga seria regravada. Infelizmente a banda desmentiu, embora tenham admitido terem planos de regravar algumas num futuro prĂłximo. Uma das que eu adoraria ver regravadas (e completadas) Ă© a Velvet. AtĂ© um tempo atrĂĄs ela era raridade e pouquĂssimas pessoas a tinham, tanto que a letra correspondente que alguns sites tinham chegou a ser considerada fake. NĂŁo me recordo muito bem, mas parece que ela foi criada apenas para servir como uma mĂșsica de fundo ou abertura do antigo e saudoso site Nothing & Nowhere. Que o fĂŁ que nunca tenha entrado nesse site para ficar ouvindo aqueles efeitos sonoros lindos atire a primeira pedra!
Eu tenho claras preferĂȘncias pela fase antiga justamente pelo fato de soar mais atmosfĂ©rico, e cĂĄ entre nĂłs: isso Ă© caracterĂstica marcante de bandas oitentistas. Basta ouvir cançÔes como Sweet Dreams do Eurythmics e Small Town Boy do Bronski Beat para comprovar. Os primeiros trabalhos do The Birthday Massacre tambĂ©m mostravam claras influĂȘncias do darkwave, muito mais do que hoje. Boas comparaçÔes seriam Autumn Angels, Diva Destruction e The Frozen Autumn. Uma das coisas que mais me cativavam era o instrumental e o vocal que pareciam distantes e abafados, mas nĂŁo de uma forma que tornasse o som de mĂĄ qualidade, apenas dava um ar de mistĂ©rio, como se o ouvinte se encontrasse em um bosque encantado e ouvisse a mĂșsica soprando com o vento. A banda faz uso de diversos efeitos sonoros que reforçam bem esta ideia, pois do inĂcio ao fim das mĂșsicas Ă© possĂvel ouvir vozes e risadas infantis misturados com o sopro do vento e com o som de algo muito parecido com aqueles penduricalhos que as pessoas colocam em suas casas (e que emite um barulho muito agradĂĄvel!).
O talento da vocalista Chibi Ă© outra coisa que nĂŁo pode passar despercebida. Dotada de uma voz versĂĄtil, ela vai do dĂłcil ao gutural (tanto que no inĂcio eu pensava que o refrĂŁo da Broken era cantada por algum dos caras). A canção Blue Ă© outra na qual ela faz um gutural trevoso, jĂĄ em Nothing & Nowhere, sua voz soa mais adulta e novamente, bem parecida com a das cantoras dos anos 80, ao contrĂĄrio de Nevermind, quando Chibi nos surpreende com seu toque infantil, parecendo uma garotinha.
Um ponto muito interessante sobre a banda Ă© o fato de usarem um tipo de ilustração oitocentista chamada "Arte da Silhueta" na arte dos ĂĄlbuns. Todos os discos possuem exĂłticas ilustraçÔes que mesclam o preto e o roxo, criando um aspecto macabro e infantil ao mesmo tempo. Com exceção da menina na capa do Violet, todos os misteriosos personagens que aparecem nas sombras usam orelhas pontudas de coelho. VocĂȘ jĂĄ deve ter ouvido pelo menos umas cem vezes o ditado: NĂŁo julgue um livro (ou nesse caso, um disco) pela capa. Bom, eu diria que o The Birthday Massacre foge dessa regra.
A respeito da discografia: O The Birthday Massacre foi formado oficialmente em 1999, inicialmente com o nome de Imagica. Lançaram uma demo com algumas mĂșsicas que foram regravadas mais tarde (infelizmente nem todas). Em 2002 Ă© lançado de forma independente o primeiro disco intitulado como “Nothing & Nowhere”, curiosamente o nome de uma das cançÔes presentes na demo que nĂŁo foram regravadas. No que diz respeito Ă sonoridade, nĂŁo houve grandes mudanças senĂŁo por uma melhora na qualidade tĂ©cnica do som. Acho que a palavra que mais sintetiza o ĂĄlbum seria: mĂĄgico. Pense como seria abrir um livro dos contos de fadas dos IrmĂŁos Grimm e ouvĂ-lo: cada histĂłria sendo contada por meio de mĂșsicas com sons que representam as crianças brincando nas florestas. Certamente nĂŁo Ă© por acaso que o encarte desse disco vem com a ilustração da silhueta de um menino tocando uma flauta com vĂĄrios ratos o seguindo em fila indiana, fazendo alusĂŁo ao flautista de Bremem. Para que vocĂȘ entenda e consiga captar bem a essĂȘncia, insisto que visite o link que coloquei no inĂcio da postagem.
Em 2005 foi lançado “Violet”. Trazendo algumas versĂ”es de mĂșsicas anteriores um pouco melhoradas, isto Ă©, gravadas com mais recursos, o disco rendeu um vĂdeo muito bem produzido da faixa Blue, levando-os a ficarem mais conhecidos. Entre os upgrades de cançÔes mais antigas estĂŁo Lovers End, Video Kid, Happy Birthday e Horror Show. Como sou chata eu ainda prefiro a versĂŁo demo da Lovers End, que Ă© inclusive uma das minhas preferidas. Foi ela que fez eu me encantar pelo universo da banda, ao lado de Queen of Hearts e Remember Me.
2007 Ă© o ano de lançamento de “Walking With Strangers”, ĂĄlbum que mostra um The Birthday Massacre mais maduro musicalmente. Dessa vez mais duas mĂșsicas foram regravadas: Remember Me e To Die For. Para o desgosto de muitos a primeira foi totalmente mudada, de um ritmo lento para uma melodia mais dançante. Eu particularmente prefiro a antiga, mesmo achando vĂĄlida a transformação que praticamente criou duas mĂșsicas diferentes. O ponto negativo da fase Walking With Strangers pra frente Ă© que a partir dela acabam aquelas faixas instrumentais que serviam como uma ligação interessante entre as cançÔes. A prĂłxima desse estilo sĂł vi aparecer lĂĄ na frente, no sexto ĂĄlbum da banda.
Em 2010 os canadenses voltam com o “Pins and Needles”, no qual as guitarras estĂŁo bem mais proeminantes se comparado aos ĂĄlbuns anteriores. O vocal da Chibi estĂĄ mais uniforme do inĂcio ao fim, fazendo gutural apenas em uma mĂșsica. Se no “Walking With Strangers” a banda inovou, nesse entĂŁo nem se fala. O peso das guitarras e algumas letras fizeram o lado macabro se sobressair ao da fantasia, tanto que nenhuma mĂșsica dele me transportou para os bosques encantados. Praticamente nĂŁo dĂĄ para comparar com seu antecessor dançante. Ă o ĂĄlbum que eu menos ouvi, pois nĂŁo me agradou muito a linha mais "rock" que eles seguiram.
Para finalizar, deixo aqui minhas mĂșsicas preferidas como dica para quem quiser se aventurar no universo da banda (clique para ouvir): Queen of Hearts, Lovers End, Violet, Blue, Velvet, To Die For, Under The Stairs, Remember Me , Horror Show, Goodnight, Holiday, Superstition, Rain











































