Saying I
have a thing for home design would be an understatement. I've always been
fascinated by home decor, not professionally, just as a hobby. With a
background in photography, I have a solid understanding of color theory, which
really helps when I decorate my own space.
My life has
revolved around work, more work, and even more work (because it’s never enough). With
a short vacation coming up next week, I figured it’d be a good time to sit down
and write. I also wanted a break from the “patentese” I deal with on a daily
basis and the chance to write something a bit more casual.
So, let’s
get into it. After rearranging the furniture in my apartment several times to
make room for a couch I recently bought, I wanted to show the result
of months of planning (and shopping 👀). ~Sorry for the poor photo quality. They were taken with my phone 😐
I’m such a
homebody (I even work from home!), so I spend a lot of time rearranging things
to make my space cozier. After a busy workday, I usually dedicate a few hours
to leisure (what I like to call my “no-thinking hours”) browsing decor ideas
for inspiration and checking prices across different stores.
I've
finally found the terracotta velvet sofa I've been searching for over the past
few years(!!). I'm obsessed with terracotta shades because they bring out the
warm tones I see in nature. I love this color so much that my entire apartment
is decorated around it. (I totally forgot to take a picture of my
sofa...)My goal is
to incorporate elements of nature into my decor by choosing products made from
wood and cork, both of which are typically eco-friendly and cost-effective.
Scented
candles are really popular these days, so I decided to give them a try and
bought a few from a store that specializes in literary candles [Update: I think the store is closed until further notice :/]
My favorite
ones are Mama Bear's Pancakes, The Fantastic World of
Beatrix Potter and Alice's Poetry. The first one
references a cartoon I used to watch in the 90s, which feels really
nostalgic. Alice's Poetry is my second favorite. As it burns,
it releases a warm, soothing fragrance of apple, peach, and tutti-frutti, while
sparkling with delicate glitter.
I’ve been
really into entomology collections lately. I got these from an entomologist who
turns dead insects into art (she doesn’t kill the insects, but instead uses the
ones she finds already dead).
For those
who don't know, I'm an entomology photographer, so having insect domes on my
shelf makes total sense. I’m particularly interested in Odonata, especially the
suborder Zygoptera, which is really hard to photograph. These insects are so small that they’re hard to capture even with a macro.
I also
collect mushroom replicas in glass domes, but I’ll talk about those in another post where I’ll be introducing Bia’s work :)
It’s safe
to say my little hobbit-hole of a home is finally achieving the cozy vibe I’ve
been going for.
I still
have more decor ideas, which I intend to share little by little. That's
all for today.
À beira da eclosão de uma terceira guerra
mundial, sob a hipervigilância das big techs e diante de uma possível ameaça à
nossa soberania nacional, decido voltar a escrever textos despretensiosos em
um blog.
Digamos que não é lá o momento mais
oportuno para eu retomar a escrita neste espaço, haja vista eu estar atolada
até o pescoço de trabalho. Para se ter uma ideia, eu comecei a rascunhar esta
postagem em janeiro 😁. Só hoje consegui sentar aqui para concluí-la. Ninguém mais escreve em blogs, e tampouco alguém os lê. Apesar de ter essa noção, opto por retornar; afinal, em um mundo dominado por textos escritos por IA, escrever textos "de cabeça" é um ato de resistência. De modo geral, este texto é um prelúdio para a nova fase deste blog, que já conta com algumas coisas em pré-publicação. Stay tuned!
A postagem que inaugura esta nova
fase com chave de ouro é sobre ele: [som de tambores 🥁🥁] ~4 gramas de fofura,
cerca de 3 cm de graciosidade, olhinhos discretos e curiosos, conchinha
bege~marrom-claro e rádula sedenta por papaya. Senhoras e
senhores, apresento-lhes o Walter! 🥁🥁
Sim, adotei um caracol de estimação
😊 Encontrei o Walter (a.k.a. nenê
Walter, bichinho Walter, ou ainda Gosmentinho, para os mais íntimos) no dia 26
de dezembro de 2025, em uma de minhas expedições fotográficas pela natureza. De
início, avistei a conchinha em uma planta e corri para inspecioná-la. Como
nunca havia tido a sorte de encontrar um caracol vivo (certa vez achei uma
concha abandonada do que um dia fora um caracol...), não fiquei muito esperançosa.
Queria apenas fotografá-la, pois sempre achei linda aquela estrutura espiral. Segurei
a concha em minhas mãos por alguns minutos e voltei minha atenção a uma borboleta
que avidamente coletava pólen em uma corda-de-viola. Após certo tempo,
algo se moveu na concha... “Está vivo!!!” Automaticamente entrei no meu modo “derretimento
por coisas fofas” e, alguns minutos depois, vi o Walter pela primeira vez <3
Foi amor à primeira vista! A partir dali, soube que o levaria para casa.
Improvisaria um terrário até comprar um adequado. Daria um jeito!!
E assim foi. As primeiras duas semanas
do Walter em casa foram dentro de um copo de whisky. Imediatamente, botei meus
conhecimentos básicos de malacologia em prática: peguei terra do jardim e coletei alguns galhinhos de physalis, folhas de dente-de-leão e musgo, a fim de
construir um miniterrário. Pesquisei por terrários para pequenos invertebrados e
comprei um de 3 litros (que, para a nossa sorte, chegou bem rápido).
Após passar um mês “de boas” no terrário,
comendo bem, defecando normalmente e fazendo passeios supervisionados no
jardim, o Walter entrou em estiva. Era a primeira vez que eu via de perto um
caracol assim e, inicialmente, achei que ele tivesse morrido. A película de
cálcio estava formada bem para dentro da concha, dando a impressão de que ele havia secado. Eu entrei em desespero, tive uma crise de choro (essa foi a segunda; a
primeira foi em certa manhã em que o meliante se enterrou no fundo do terrário,
fazendo-me acreditar que ele havia fugido). Abracei o terrário e comecei a
soluçar, sentindo-me responsável pela morte de um ser inocente.
No desespero, tirei uma foto e
pesquisei na esperança de se tratar de algum processo fisiológico típico de caracóis.
E era isso: Walter havia entrado em estiva, muito provavelmente em decorrência de
mudanças bruscas de temperatura. Contudo, a essa altura, eu já havia me
desesperado e colocado a concha dele contra a luz para inspecionar, além de
borrifar água para saber se ele reagiria. E reagiu. Após meia hora, esse
serzinho gosmento emergiu novamente da concha, devorando o epifragma. Em seguida,
saiu andando (ou deslizando, talvez? 🤔) como se nada tivesse acontecido. Eu
brinquei com meu namorado, dizendo que o Walter deve ter ficado “putasso”
comigo: “Como ousa perturbar meu soninho de beleza?”
O problema é que, no dia seguinte, ele
novamente estivou. Algo estava claramente errado no ambiente. E assim ele ficou
por longos dezesseis dias. O que me tranquilizava era ver as anteninhas movendo-se
sutilmente através da superfície translúcida da concha. Retornamos a Curitiba e
nada mudou. Long story short: ele passou por várias estivas curtas em que ele saía,
passava um dia fora e depois estivava novamente. Contatei um veterinário
especializado em animais silvestres. Ao trocar ideia com ele e me aprofundar um
pouco mais na literatura, chegamos à conclusão de que seria fundamental controlar
a umidade do terrário.
Meu namorado científico maravilhoso
comprou um terrário do mesmo modelo e acoplou um higrômetro/termômetro à tampa.
Hipótese: o ambiente provavelmente estava com umidade muito baixa, o que me
motivava a dar borrifadas frequentes ao longo do dia. No entanto, o higrômetro provou
ser exatamente o contrário: o ambiente estava demasiadamente úmido! Isso
explicava o porquê de o Walter sempre ficar no teto do terrário, justamente nas
frestas que permitiam troca de ar. Ele evitava tanto ficar na parte inferior
que cheguei a considerar que pudesse estar desgostoso com o substrato. Mas a
verdade era que o ar estava muito pesado, dificultando a respiração e até mesmo
colocando em risco a manutenção da concha. Ao percebermos isso, diminuímos as
borrifadas e, tcharam!, ele saiu da estiva, parou de ficar no teto, teve um
evidente aumento no apetite e se mostrou mais ativo. Meu namorado, empolgado,
exclamou: “viva a ciência!”
À medida que o Walter estivava, eu
lia livros sobre moluscos gastrópodes e visitava fóruns em busca de dicas de
criadores sobre alimentação e substrato; assim, fui aprimorando o
terrário, que hoje conta com cerca de 5 cm de substrato de fibra de coco (livre
de sais e taninas), tapete de musgo-da-floresta, osso de sépia para fonte de cálcio
e uma “minioca” de fibra de coco para servir de abrigo (além do referido
higrômetro/termômetro acoplado).
Hoje, ele está muito bem adaptado e,
por que não dizer, faceiro: alimenta-se bem (ele ama mamão e abobrinha!) e tem
seus lugares preferidos para dormir. Demonstra curiosidade com a inserção de
objetos novos no ambiente e explora o terrário com frequência, passando tempo
considerável fora da concha, comportamento fofo que demonstra segurança e relaxamento.
Planejamos um cardápio semanal com o objetivo de oferecer uma dieta equilibrada
(temos o dia da abobrinha, da cenoura, da rúcula com agrião, da berinjela e
assim por diante). Esta semana mesmo ele obliterou um pedaço enorme de abobrinha
ao longo da noite (e cagou proporcionalmente à quantidade consumida @_@) –[i] os alimentos têm sido
servidos com pedaços de CaCO₃ para fortalecer a conchinha após as múltiplas
estivas.
Há muito eu queria ter um caracol
de estimação. Sempre achei que as conchas conferem um charme peculiar a esses
animais. Lembro-me de ter desenvolvido interesse especial por caracóis após conhecer
o trabalho de Vyacheslav Mischenko, um de meus principais referenciais na
fotografia. Fiquei apaixonada pelo modo mágico com que ele representa o pequeno
mundo desses moluscos, trazendo à tona detalhes invisíveis aos olhos: a flor
minúscula que o caracol admira; o cogumelo que serve de abrigo; ou ainda a gota
de orvalho que mata sua sede. A obra desse artista certamente tem orientado meu
percurso na fotografia.
O Walter não é apenas um caracol; simbolicamente,
ele é um reflexo da minha própria fragilidade e existência. Seu metabolismo se
traduz em processos internos que reconheço em mim mesma. Embora viva em um
mundo caótico, ele segue o seu próprio ritmo; é extremamente vulnerável a pequenas
mudanças no ambiente; diante de quaisquer adversidades, necessita de recolhimento
a fim de se recompor e preservar energia (estiva). De maneira análoga, devido à
minha sensibilidade, dificuldade de socialização e sentimento de inadequação, sempre
vivi muito mais dentro da minha própria mente do que no mundo externo (constantemente me recolho em minha “conchinha” mental quando
o mundo se torna demais). Caracóis costumam ser rejeitados e tratados como incômodo e com desdém pela
maioria das pessoas, sensação de rejeição que também reconheço, pois a vivenciei desde cedo no meu ambiente familiar (tópico sobre o qual não me
aprofundarei nesta postagem, a fim de não pesar o texto). Ao descrever para o
meu namorado o quanto me reconheço no Walter, ele mesmo completou o raciocínio
de forma bonita:
“ – Eu não me sinto como as outras
pessoas, não as compreendo e tenho dificuldades de me relacionar, por isso
eu...”
“ – Você entra em estiva.”
Por mais que nós, humanos, tenhamos
o hábito de projetar nossas percepções nos nossos bichinhos, é evidente que
moluscos são bem rudimentares. O Walter carece dos mecanismos psicológicos para
entender ou sequer sentir afeto. Ainda assim, estou feliz com o fato de que ele
já fica “de boas” na minha mão e sem se retrair na concha quando removo cocozinho
preso nele com papel higiênico (antes ele evitava minha mão ou se recolhia). 🐌
Cuidar desse serzinho tão pequeno e
frágil tem não apenas me protegido contra a depressão, mas também ajudado a
exercer afeto. Também comecei a consumir vegetais que antes não faziam parte do meu
cardápio: rúcula, agrião, abobrinha e berinjela. Inclusive, rúcula é uma
delícia!
O Walter é o primeiro de muitos
caracoizinhos que passarão pela minha vida, pois hoje posso afirmar categoricamente
que estou amando a experiência de ter um molusco de estimação. Além disso, onde
cabe um, cabem dois ou seis... O lado triste de ser tutor desses animais é que
sua expectativa de vida não é lá muito longa, sobretudo se ele realmente for da
espécie que eu acredito que seja... E só de pensar nisso meus olhos já se
enchem de lágrimas; portanto, não pensarei a respeito. Eu sei que a vidinha
dele é um sopro, mas farei o possível para dar-lhe a melhor existência possível pelo
tempo que ele estiver comigo.
Não poderia terminar esta postagem senão com um dos meus retratos preferidos do Walter, o qual faz parte do meu acervo pessoal, intitulado Snail Tales.
Walter & Walterego. 2026. Digital color photograph. Personal archive.
Em
BioShock Infinite, saímos da cidade submersa de Rapture e subimos aos céus até a
cidade flutuante de Columbia.
Há
uma década era lançado um dos melhores jogos de FPS já criados. Por
mais fissurada por jogos que eu seja, poucos são os games capazes de me cativar
tão profundamente. O caso de BioShock Infinite é interessante. Após jogá-lo por
algumas horas, comentei com o meu namorado sobre a sensação de o jogo ter me
feito “voltar a ser criança”. Fiquei completamente absorvida pelo universo e
pela história, entorpecida pelos pequenos detalhes repletos de easter eggs,
pela beleza dos gráficos e pela vivacidade de Columbia. Este texto é a minha declaração de amor por essa obra de arte.
Terceiro
título da aclamada série BioShock produzida pela Irrational Games, Infinite se
passa em 1912, portanto, sua história é anterior à dos outros dois títulos. O
jogo tem como protagonistas Booker DeWitt, ex-Pinkerton enviado para a cidade
flutuante de Columbia com o objetivo de encontrar uma misteriosa mulher e levá-la a Nova York como pagamento
de uma dívida; e Elizabeth, jovem mantida cativa em uma torre sob vigilância de
uma criatura mecânica chamada Songbird.
"If an atom could be suspended indefinitely, well — why not an apple? If an apple, why not a city?" — Rosalind Lutece.
Para resgatar a jovem, Booker precisa adentrar a recôndita cidade de Columbia, momento em que o jogador familiarizado com os dois títulos anteriores da série se vê diante de um cenário conhecido: o farol. Na série BioShock, o farol é o ponto de partida para a narrativa, levando o jogador à utópica cidade submersa de Rapture, idealizada por Andrew Ryan e fundamentada nos preceitos do Libertarianismo e Objetivismo; ou à Columbia, autocracia religiosa fundada por Zachary Comstock para servir como uma espécie de “Nova Arca”. Tais relações sintetizam a premissa central da série, “sempre haverá um farol, sempre haverá um homem, sempre haverá uma cidade”. ❤
A
narrativa de Infinite desenrola-se durante o crescimento do Excepcionalismo
Americano, ideologia cujo pilar central é a crença de que os Estados Unidos é
uma nação superior e destinada por Deus a subjugar as demais. Tal ideologia é
personificada na cidade de Columbia, que embora à primeira vista encante por
sua beleza, cores vibrantes e progresso tecnológico, foi construída por/para
Brancos, Anglo-Saxões e Protestantes (WASP) norte-americanos,
institucionalizando a escravidão e marginalizando a população pertencente a
outras etnias.
Aerotrilhos de Columbia, inicialmente usados para transporte de cargas e, após, para locomoção.
O
processo de resgatar Elizabeth prova-se bem mais difícil do que parece quando
Booker percebe que há uma profecia em torno da figura da jovem, segundo a qual
ela seria uma espécie de “messias” da cidade e herdeira de Zachary Comstock, autoproclamado
“profeta”. Comstock é cultuado como um líder religioso pelos habitantes de
Columbia, exercendo poder autocrático sobre a cidade. Sendo assim, a polícia
local é formada por fanáticos dispostos a darem sua vida para manter Elizabeth
trancada. Outro entrave para a fuga de Booker e Elizabeth é a criatura feita para proteger a jovem e impedi-la de sair de sua torre: Songbird. Não se sabe
ao certo o mecanismo envolvido em Songbird, embora existam diversas especulações
acerca de sua origem. O fato de o seu design ser muito parecido ao de um Big
Daddy originou teorias de que haveria um humano dentro do enorme pássaro
metálico. Será?
Embora
Songbird seja conhecido como o guardião da jovem messias de Columbia, ele é temido
pelos cidadãos columbianos. Na cantiga de roda columbiana a seguir, fica
evidente que sua figura é aludida pelos adultos para assustar as crianças caso
não se comportem:
“Songbird.
Songbird, see him fly,
drop the children from the sky.
When the young ones misbehave,
escorts children to their grave.
Never talk-back, never lie,
or he'll drop you from the sky”.
Não
bastasse o fanatismo religioso em torno da personalidade do profeta e a
profecia envolvendo Elizabeth, a despeito da aparente calmaria, Columbia
encontra-se à beira de uma guerra civil entre a Elite dos Fundadores — a classe
branca da cidade, defensora dos interesses de americanos “puros” — e a Vox
Populi — grupo de insurgentes formado pela população considerada “inferior” pelos primeiros. Liderada por Daisy Fitzroy, a Vox representa um levante comunista frente à opressão perpetrada pelo grupo dominante, unindo a população escravizada (constituída por negros, asiáticos e demais estrangeiros) em busca de igualdade de direitos. Desta feita, Infinite aborda temáticas complexas, tais como fundamentalismo
religioso, racismo, radicalização de movimentos sociais, desigualdade social e escravidão.
Em
meio a esse conflito de classes, Booker percebe que Elizabeth é dotada de
estranhos poderes: a jovem pode manipular fendas no espaço-tempo presentes em
Columbia, fazendo uso dessa habilidade extraordinária para trazer elementos de
universos paralelos a fim de ajudá-los em batalha. No decorrer da trama,
percebemos que tais fendas no espaço-tempo são bem conhecidas pelos cidadãos de
Columbia, que as exploram para criar armas, tecnologia e até mesmo músicas futuristas,
fato que traz elementos anacrônicos para o ano de 1912.
♫♫♫♫♫♫♫♫
Abro
um longo parêntese aqui para comentar a respeito da trilha sonora, que,
por sinal, faz parte dos divertidos easter eggs do jogo. Além da música
composta exclusivamente para Infinite, a trilha sonora segue o mesmo padrão dos
BioShock anteriores, trazendo músicas bem antigas (décadas de 1920 e 1930). O
diferencial de Infinite está nas versões de hits das décadas de 1960 a 1990 nos moldes antigos, conhecidas como Columbia’s anachronistic hits. Já em
nossos primeiros passeios em Columbia, somos surpreendidos por uma apresentação
do The Barbershop Quartet performando a canção God only knows, de The Beach
Boys.
The music of tomorrow... Today!
"I had thought you a fool, dear brother. When you told me that you heard wonderful music trumpeting from holes in the thin air, I began to doubt your mental integrity. But not only have you made your fortune from these doodads, you have lit the path for me as well". — Jeremiah Fink.
A bela canção Everybody wants to rule the world, do
Tears for Fears, também ganhou a sua versão à la 1912. O
mais engraçado é que não consegui reconhecê-la de imediato, tanto que comentei:
“Nossa! Adorei essa música, é tão legalzinha”. Para quem não sabe, ela possivelmente
é a minha canção preferida da década de 1980, então foi uma surpresa quando percebi
tê-la adorado em uma versão completamente diferente. Ouça a seguir:
A região de Soldier's Field é um dos ambientes mais atmosféricos e sonhadores de Colúmbia 😊
De
Requiem em Ré menor de Mozart a Fortunate son do Creedence, a trilha sonora de
Infinite é de altíssima qualidade. Todas as músicas foram bem escolhidas e
conectam-se perfeitamente com o momento em que aparecem na narrativa.
♫♫♫♫♫♫♫♫
Columbia
foi construída por meio do fenômeno de “Levitação Quântica”, descoberto pela
física Rosalind Lutece ao fazer experimentos suspendendo átomos no ar. No decorrer de seus experimentos, Rosalind perguntou-se sobre a
possibilidade de suspender objetos maiores. Interessado no trabalho de Lutece — chamado por ela de Lutece Particle —,Comstock resolveu financiá-lo, com a condição de que ela o ajudasse a construir uma cidade no ar, a qual
supostamente ele teria visto em uma premonição.
Além da Lutece Particle, Columbia é sustentada por balões, dispositivos de propulsão e hélices, os quais podem ser vistos espalhados pela cidade. A infraestrutura também conta com captadores de chuva que coletam água para abastecimento da população e uso na agricultura.
~Eu quero morar dentro desse jogo ❤
“When I was a girl, a dreamt of standing in a room looking at a girl who was and was not myself, who stood looking at another girl, who also was and was not myself. My mother took this for a nightmare. I saw it as the beginning of a career in physics”. — Rosalind Lutece.
Eu
sou absolutamente fissurada pela temática de universos paralelos. Certamente é
minha temática preferida quando o assunto é ficção científica, e não por acaso,
Fringe é minha série favorita. BioShock Infinite trabalha com um conceito de
universos paralelos semelhante ao dessa série, entendendo-os como realidades
parecidas, mas sutilmente diferentes. Lembro-me de já estar completamente
apaixonada pelo universo de Infinite após minhas primeiras horas de gameplay,
mas a cena que me arrebatou de vez foi a que Elizabeth abre uma fenda para
Paris, cidade que ela sonha conhecer. A cena é, diga-se de passagem, repleta de easter eggs,a começar pelo trocadilho feito por meio do nome da banda, Tears for Fears :)
Everybody wants to rule the world ♫
A
existência de realidades alternativas é central na história do jogo. No
decorrer dos testes realizados com a Lutece Particle, Rosalind acabou tendo a
sua primeira interação com Robert Lutece, [SPOILER]uma versão masculina sua proveniente de
um universo alternativo. Os dois descobriram uma forma de se comunicar através das barreiras do espaço-tempo mediante Código Morse, até que, por meio da
Máquina de Fendas Dimensionais que lhes permitia acessar essas realidades
alternativas, ambos conseguiram se encontrar. Além de peças-chave no enredo de
BioShock, os Lutece são em grande medida responsáveis pelas excelentes pitadas
de humor do jogo, além de terem um papel similar ao de personagens como o G-Man, de Half Life, aparecendo em momentos inusitados com falas enigmáticas.
"It's like a, a window. A window to another world. Most of the time they're dull as dishwater. A different color towel, or tea instead of coffee. But sometimes... sometimes I see something amazing" — Elizabeth.
Se
em Rapture, frente aos ideais ultracapitalistas e individualistas defendidos
por Ryan, havia ruptura total com o governo norte-americano desde a sua origem,
Columbia nasceu como um projeto do governo dos Estados Unidos, sendo
apresentada como amostra de virtuose tecnológica e militar na Feira Mundial de Chicago em 1893.
Como
já deve ter ficado evidente, a ambientação de BioShock Infinite é recheada de
referências à história norte-americana. Figuras históricas importantes são direta
ou indiretamente mencionadas ao longo da trama, notadamente Abraham Lincoln,
considerado traidor pelos cidadãos de Columbia em virtude de seus ideais
abolicionistas. Em determinado momento do jogo, ao entrarmos na propriedade de
um casal secretamente unido à resistência, nos deparamos com uma pintura de
Lincoln na sala de estar. Por sua vez, quando estamos na Fraternal Order of the
Raven — organização nacionalista afiliada à Elite dos Fundadores e análoga à Ku Klux
Klan —, vemos um quadro retratando o seu assassinato pelas mãos de John Wilkes
Booth, cultuado como herói pelos membros da ordem.
Já
no início do jogo, somos surpreendidos por seguidores de Comstock rezando frente
a estátuas dos três fundadores dos Estados Unidos — George Washington, Thomas
Jefferson e Benjamin Franklin. Por fim, por meio da figura de Cornelius Slate,
ficamos sabendo de mais detalhes acerca da atuação de Columbia em eventos
históricos importantes, como o Massacre de Wounded Knee, no qual nativos
americanos foram dizimados na Dakota do Sul; e o Levante dos Boxers, na China,
ocasião em que as forças de Columbia intervieram sem a autorização do governo
americano, o que culminou com sua separação dos Estados Unidos. Nesse ponto,
também ficamos sabendo da atuação de Booker ao lado de Slate em ambas as
batalhas, fato que além de nos permitir conhecer mais a respeito do seu
passado, ajuda a delineá-lo como um personagem mercenário e frio. Confesso queachei o personagem de Slate bem complexo e interessante, ao ponto de ter desejado que ele tivesse sido melhor explorado no desenrolar da trama. Infelizmente, isso não acontece e nos despedimos dele sem ver uma participação mais ativa.
"Tin men, Booker! That´s what Comstock will turn us into! Wires and gears to replace heads and hearts!" — Cornelius Slate.
Mecânica
e dinâmica entre os protagonistas
BioShock
Infinite não apresenta exatamente batalhas contra chefes, o mais próximo sendo
alguns confrontos contra inimigos mais fortes em ambientes fechados, como os
Handymen (análogos aos Big Daddies) e os Fireman. Outros inimigos de artilharia mais pesada são os Motorized Patriots, autômatos sem qualquer senso de autopreservação que perseguem o jogador incessantemente, tendo como arma uma Crank Gun. Acerca dos últimos, só digo que quem nunca foi perseguido por um Motorized Patriot não sabe o que é desespero.
A ambientação, diferentemente
dos títulos anteriores, é aberta e permite uma ampla gama de movimentações ao
jogador, que pode se mover pelo cenário a pé, por meio de gondolas ou pelas
skylines que conectam as diferentes partes da cidade. Além das armas,
Infinite mantém a proposta dos BioShock anteriores ao oferecer ao jogador
“poderes” (tais como possessão humana, lançamento de raios etc.) obtidos por
meio de Vigors (análogos aos Plasmids). Esses poderes podem ser combinados de
diversas formas para lutar contra hordas de inimigos.
Exemplo de rocket automaton
A
relação de Booker e Elizabeth desenvolve-se de modo interessante no decorrer da
narrativa, especialmente considerando o contraste entre o caráter mercenário e
cínico de Booker e a natureza inocente, frágil e sonhadora de Elizabeth. A
dinâmica da dupla é excelente para combate. O jogador controla Booker, enquanto
Liz oferece suporte na busca de munição, dinheiro (time is money!), Salts (para
recarregar os Vigors) e kits médicos. Elizabeth também tem a habilidade de
abrir cadeados usando lockpick, bem como de decifrar códigos que aparecem ao longo
do jogo, inclusive em side quests. Outro ponto interessante é que Booker não
precisa protegê-la de inimigos, uma vez que ela mesma se esconde, o que já
exclui a problemática da Inteligência Artificial burra, tão comum em diversos
personagens acompanhantes no universo dos games.
"— Do you ever get used to it? The killing?"
— Elizabeth
"— Faster than you can imagine" — Booker.
O
excelente trabalho de voice acting feito nesse jogo também não deixa a desejar,
sobretudo no que diz respeito aos protagonistas. A interpretação de Troy Baker
(Booker) e Courtnee Draper (Elizabeth) ficou perfeita e contribuiu muito para a
química entre os dois. Aliás, toda a sonoplastia de Infinite é mágica. Nada
como ouvir os belos sinos ao longe quando estamos em determinados locais da
cidade. Os sons contribuem para criar uma ambientação incrivelmente imersiva
que nos transporta para Columbia.
Outro
recurso narrativo que enriquece a ambientação de Infinite são os voxophones,
dispositivos de gravação que podem ser coletados pelo jogador ao longo do
gameplay (inclusive os textos em inglês desta postagem foram todos transcritos a partir desses dispositivos). Por meio deles, ouvimos gravações deixadas pelas personagens a fim de
obtermos mais detalhes sobre o enredo e sua participação nos acontecimentos.
Além das principais, encontramos voxophones de personagens secundárias e de
civis de Columbia, tais como os de Constance Field (adoro o humor quântico
desse jogo rs), garotinha solitária que leu todos os livros sobre Física quântica escritos por Rosalind Lutece e
sonha em conhecer Elizabeth. No voxophone em questão, percebemos toda a reverência da população de Columbia para com a figura de Elizabeth.
"Madame Lutece -- I have read all of your books on the sciences. Mama says, 'it's not a fit occupation for a lady', but I think she's jealous of our cleverness. It is true that only you are allowed to visit the girl in the tower? If the Lamb is lonely, too, I should like to meet her, as we would have much in common" — Constance Field.
Em
suma, a história de BioShock Infinite é intrigante, cativante e incrivelmente
complexa, tanto que dividiu opiniões entre os jogadores na época de seu lançamento, deixando
grande parte do público confuso e rendendo inúmeras teorias quanto ao seu
final. O game foi constantemente descrito por alguns como "belamente cruel" em virtude das temáticas graves abordadas, com cenas de violência explícita e retratações pesadas de racismo. Se você curte narrativas ricas e profundas, jogos com ambientação
imersiva, gameplay dinâmico, personagens interessantes, frases memoráveis e trilha sonora das boas, Infinite é o jogo
certo para você.
"— The lord forgives everything. But I'm just a
prophet, so I don't have to. Amen". — Comstock.
A seguir, deixo um dos trailers de que eu mais gosto. Assista e capture toda a essência de Infinite ❤
E para sentir um pouco da atmosfera de Colúmbia (é assim que eu trabalho quase que diariamente):
(Estou até agora tentando entender o que diabos aquele cara está fazendo com o carrinho...)
"Why ask what, when the delicious question is when?" — The Lutece.
Em algumas postagens antigas eu fiz uma contagem regressiva para a chegada do outono e, hoje, gostaria de mostrar alguns cliques que fiz desta estação linda aqui na minha cidade. Já peço desculpas de antemão pela baixa qualidade de algumas das fotos. Estou apanhando muito da minha câmera no aspecto nitidez, pois além de não usar tripé ainda, estou explorando a lente do kit, que não está me parecendo a melhor para fotografar paisagens.
No mais, deixo aqui as ruas de Curitiba no outono.